Hillary realiza visita histórica ao Laos

Primeira visita de um secretário de Estado dos EUA em 57 anos visa a aumentar influência americana e conter China; bombas da época da Guerra do Vietnã ainda fazem vítimas

iG São Paulo | - Atualizada às

Hillary Clinton tornou-se nesta quarta-feira a primeira secretária de Estado americana a visitar o Laos em mais de cinco décadas, verificando se um lugar em que os EUA encheram de bombas durante a Guerra do Vietnã (1955-1975) poderia evoluir para um novo reduto da influência de Washington na Ásia. 

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Secretária de Estado Hillary Clinton fala com Phongsavath Souliyalat, que perdeu antebraços e visão em explosão de bomba da época da Guerra do Vietnã em Vientiane, Laos

Hillary se encontrou com o primeiro-ministro e com o chanceler na capital de Vientiane, parte de um giro diplomático de uma semana no sudeste da Ásia. O objetivo é estimular a posição dos EUA em um dos mercados que mais crescem rápido no mundo e conter o domínio econômico, diplomático e militar em expansão da China na região.

Trinta e sete anos desde o fim da longa guerra dos EUA na Indochina, Laos é o último teste dos esforços do governo Obama para afastar a política externa americana de seus longos conflitos no Afeganistão e Iraque . Isso se segue a um longo período de estranhamento entre Washington e seu inimigo hostil da época da Guerra Fria (1939-1945) e surge enquanto as relações do país melhoram em relação a Mianmar e Vietña.

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Em seus encontros, Hillary discutiu preocupações ambientais sobre uma represa proposta no Rio Mekong, oportunidades de investmento e esforços conjuntos para retirar dezenas de milhões de bombas não detonadas deixadas pelos EUA no Laos durante a Guerra do Vietnã.

Após as reuniões, ela disse que "percebeu o arco de nosso relacionamento ao lidar com os legados trágicos do passado para descobrir uma forma de ser parceiros do futuro". Hillary também visitou um templo budista e um centro protético financiado pelos EUA para vítimas das munições americanas.

No centro, ela encontrou Phongsavath Souliyalat, que lhe contou ter perdido as mãos e a visão de uma bomba em seu aniversário de 16 anos. "Temos de fazer mais", disse Hillary a ele. "Essa é uma das razões por que quis vir aqui hoje, para dizer a mais pessoas sobre o trabalho que deveríamos fazer juntos."

O último secretário de Estado dos EUA a visitar o Laos foi John Foster Dulles, em 1955. Naquela época, essa nação escassamente povoada estava no centro da política externa americana. Ao deixar o cargo, o presidente Dwight D. Eisenhower (1953-1961) alertou seu sucessor, John F. Kennedy (1961-1963), de que se o Laos caísse nas mãos dos comunistas, todo sudeste da Ásia poderia ser perdido.

Os EUA lançaram mais de 2 milhões de toneladas de bombas no país empobrecido durante sua "guerra secreta" entre 1964 e 1973 — cerca de uma tonelada de artilharia para cada homem, mulher e criança da nação. Isso excedeu a quantidade somada lançada na Alemanha e no Japão durante a Segunda Guerra (1939-1945), tornando o Laos a nação mais pesadamente bombardeada por pessoa da história.

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Secretária de Estado dos EUA, Hillary Clinton, observa próteses durante visita a centro dos EUA em Vientiane, Laos

Quatro décadas depois, as armas americanas ainda custam vidas. Quando a guerra acabou, cerca de um terço das cerca de 270 milhões de bombas de cacho deixadas no país falharam em explodir, deixando o país cheio de munições não detonadas. Mais de 20 mil morreram por essa artilharia no Laos pós-guerra, de acordo com o governo local, e a presença desse material em todo o país é uma grande barreira para o desenvolvimento agrícola.

A limpeza tem sido absurdamente lenta. O grupo Legados da Guerra, com base em Washington, disse que apenas 1% dos terrenos contaminados foram limpos e pediu que Washington ofereça mais assistência. O Departamento de Estado ofereceu US$ 47 milhões desde 1997. Os EUA estão gastando US$ 9 milhões neste ano para operações de limpeza de munições não detonadas no Laos, mas provavelmente oferecerão mais nos próximos dias.

*Com AP

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