China indeniza mulher forçada a abortar feto de sete meses

Segundo acordo extraoficial entre família e autoridades chinesas, Feng Jianmei foi indenizada em R$ 23,2 mil

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Depois de ser obrigada a abortar grávida de sete meses e chocar a opinão pública, a chinesa Feng Jianmei foi indenizada em US$ 11 mil (R$ 23,2 mil), com base em um acordo extraoficial pactuado entre a família e autoridades chinesas.

China: Família vítima de aborto forçado foi pressionada por autoridades

A quantia foi revelada nesta quarta-feira pela imprensa estatal do país asiático, que afirmou que a família aceitou o dinheiro "para poder voltar à vida normal", segundo explicou o marido de Feng, Deng Jiyuan, ao jornal South China Morning Post.

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Bebês recém-nascidos esperam para tomar banho em hospital na província de Shandong, na China (25/6)

O advogado da família, Zhang Kai, confirmou que trata-se de um acordo extraoficial feito com o governo do distrito de Zenjia, na província de Shaanxi.

Segundo Zhang, o pacto foi firmado na noite de terça-feira. Após o acordo, a família retirou o processo no qual buscava uma compensação do Estado.

Para a opinião pública, o dinheiro recebido na indenização "não é suficiente" para compensar o que a vítima de 29 anos passou. Feng teve de abortar por não ter como pagar uma multa imposta pela China.

O país, que tenta controlar a taxa de natalidade, cobra uma multa de cerca de 40 mil iuanes (R$ 12 mil) de famílias que tiverem mais de um filho, com base em uma política vigente na China desde 1979.

Choque: Imagem de suposto feto resultado de aborto forçado provoca polêmica

Feng já teve alta do hospital e está se recuperando. Não se sabe se a família voltou para sua cidade natal, onde no mês passado sofreu pressão por parte de autoridades municipais.

Polêmica

A repercussão internacional do caso foi provocada pela difusão das imagens do feto na internet , enquanto o marido revelou que Feng foi detida por três dias , forçada a abortar e, posteriormente, assinar um documento de consentimento.

Diante da repercussão e da atitude das autoridades chinesas - que pediram um perdão público à mãe e demitiram três funcionários envolvidos no caso -, o advogado da família acredita que os abortos forçados tendem a diminuir na China, já que o regime comunista "irá tomar mais cuidado", devido à popularidade do caso.

No entanto, o acordo entre família e autoridades afirma que "nenhuma das duas partes voltará a formular queixas sobre o sucedido", conforme publicou nesta quarta-feira a agência oficial Xinhua. 

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