TV francesa divulga trechos da conversa entre polícia e assassino de Toulouse

Mohammed Merah, que acabou sendo morto pelas forças de segurança, afirma não ter medo de morrer. Divulgação das conversas gera polêmica na França

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Membros da unidade de elite da polícia francesa (RAID) chegam ao local para prestar assistência (22/3)

A rede de televisão francesa "TF1" divulgou neste domingo (8) trechos da negociação entre a das forças de segurança com o autor dos atentados de 22 de março em Toulouse. Nas gravações Mohammed Merah, que assassinou sete pessoas, incluindo três militares, afirma "não sentir medo da morte".

"Sei que pode ser que me matem, é um risco que eu corro. Portanto, fiquem sabendo que estão diante de um homem que não tem medo da morte. Eu amo a morte como vocês amam a vida", disse Mohammed Merah, que acabou sendo morto pelas forças de segurança na operação realizada em março para capturá-lo.

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"Estamos negociando e à margem das negociações não se esqueçam que tenho mais armas. Sei o que vai acontecer, sei como vão agir para intervir", acrescentou Merah aos agentes, segundo as gravações adiantadas pelo programa "Set à Huit".

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A morte de Merah foi o desfecho de um cerco policial e de uma negociação de 32 horas para capturá-lo vivo. O frâncês de 23 anos era suspeito de ataques contra militares e uma escola judaica e alegou ter laços com a rede terrorista Al-Qaeda . Sete pessoas foram mortas na área de Toulouse em nove dias - três militares, um rabino e três crianças de uma escola judaica. De acordo com autoridades, Merah viajou para o Afeganistão e Paquistão para treinamento.

Reprodução
Imagem capturada de vídeo mostra Mohamed Merah. Imagem foi publicada pelo jornal Le Figaro com crédito para a France 2

O ministro do Interior da França, Manuel Valls, lamentou em comunicado o fato de essas conversas terem sido divulgadas em um momento em que a justiça ainda está cuidando do caso. Valls também criticou o fato das famílias das vítimas não terem sido preservadas pela emissora.

Valls disse que a conversa mantida durante as 32 horas de negociação foi gravada pelos agentes da polícia, mas ressaltou que as mesmas nunca foram divulgadas. Desta forma, "convém perguntar" como essa emissora teve acesso às gravações.

Nos trechos divulgados pela imprensa francesa, pode se escutar que, embora seu objetivo era "matar os militares por conta de suas ações no Afeganistão", sua ação também abrangia "todos os aliados", fossem da Polícia ou da Gendarmaria.

Merah acrescenta que se não tivesse sido identificado teria cometidos outros atentados e também não descartaria algumas ações esporádicas, como "ter matado policiais, gente pela rua, e gendarmes que circulam de carro (...), todos ao acaso e sem preparação".

O jovem, que era fichado por sua ligação com organizações radicais islâmicas e por ter passado períodos no Afeganistão e Paquistão, afirmou que não escondeu esse fato ao ser interrogado.

"Você acha que alguém vai ao Paquistão e ao Afeganistão como turista?, perguntou Merah, que insistiu com o agente: "Por acaso já viu alguém que vá como turista para lá?".

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