Testemunha descreve horrores de ataque na Bósnia no julgamento de Mladic

Recomeça julgamento de ex-general servo-bósnio acusado de atrocidades durante a Guerra da Bósnia (1992-1995), incluindo o massacre de Srebrenica

iG São Paulo | - Atualizada às

A primeira testemunha no aguardado julgamento do ex-general servo-bósnio Ratko Mladic descreveu nesta segunda-feira, no Tribunal Penal Internacional de Haia, a fuga de sua aldeia natal, Grabovica, e outras cenas de horror que viveu ao lado de sua mãe na Bósnia.

Apesar dos advogados de defesa terem requerido o adiamento do caso sobre o crime de guerra por seis meses, os juízes da Organização das Nações Unidas (ONU) entenderam que a acusação poderia recorrer a esse pedido na terça-feira, permitindo assim o testemunho de Elvedin Pasic hoje.

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AP
Imagem de vídeo mostra ex-general servo-bósnio Ratko Mladic no Tribunal Penal Internacional em Haia, Holanda


Acusação: Mladic ordenou massacre de Srebrenica, diz promotoria

Mladic enfrenta 11 acusações de genocídio, crimes de guerra e crimes contra a humanidade. Ele nega qualquer um dos crimes.

Pasic falou sobre a fuga de sua família e a posterior separação enquanto seu vilarejo, no norte da Bósnia, foi atacado em 1992 por tropas servas-bósnias sob o comando de Mladic. O muçulmano, que tinha 14 anos na época, descreveu as semanas que ficou vagando ao lado da mãe de aldeia em aldeia.

Agora aos 34 anos, Pasic descreveu cuidadosamente como ele e sua mãe retornaram ao vilarejo apesar do alerta de dois soldados sérvios que patrulhavam a área: "Não há nada para vocês lá: sua terra é a Turquia, aqui é a Sérvia."

Ele descreveu sua emoção ao voltar à aldeia, apesar de, como haviam alertado os soldados, não haver mais nada ali. "A casa tinha sido completamente queimada, a geladeira, a televisão, as paredes", disse Pasic que, durante seu depoimento, não olhou para Mladic.

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Até mesmo roupas que eles haviam enterrado quando saíram da aldeia tinham sido encontradas e levadas. A voz de Pasic ficou embargada quando ele falou sobre a esperança que tinha de encontrar seu cachorro vivo - mas que estava morto com um tiro. Segundo Pasic, a maioria das pessoas que restavam no vilarejo foram queimadas vivas em suas casas.

O julgamento de Mladic teve início em 16 de maio, mas foi suspenso , porque a promotoria admitiu que, devido a um erro, milhares de páginas de provas não foram divulgadas aos advogados de defesa. Se considerado culpado, Mladic deve ser condenado à prisão perpétua.

O ex-general presente no tribunal nesta segunda-feira fez apenas um aceno de aprovação com a cabeça no início do depoimento de Pasic, quando ele falou sobre as boas relações entre muçulmanos bósnis, sérvios e croatas antes da guerra.

Com AP

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