Choques em protesto contra projeto de mineração no Peru deixam mais mortos

No total, cinco morreram em violentos confrontos entre forças de segurança e manifestantes que se opõe à exploração da mina de ouro de Conga, em Cajamarca

iG São Paulo | - Atualizada às

Violentos protestos contra um projeto de mineração de ouro fizeram mais vítimas nesta quinta-feira, depois de o governo ter declarado estado de emergência pela segunda vez devido aos confrontos. O número de mortos chega a cinco, de acordo com autoridades, enquanto o presidente peruano, Ollanta Humala, é alvo de críticas pela repressão ao protesto contra o projeto da mina de ouro de Conga, em Cajamarca. 

Tensão: Peru decreta estado de emergência por protesto contra mineração

EFE
Manifestante contrário ao projeto de mineração em Cajamarca (4/7)

Na quarta-feira, o governo do Peru decretou estado de emergência e a militarização de três províncias do Estado de Cajamarca: Celendín, Hualgayoc e Cajamarca. O ministro da Justiça do Peru, Juan Jimenez, anunciou o estado de emergência, com suspensão de liberdades civis, depois de ao menos 1 mil manifestantes terem atacado com pedras a sede da prefeitura, a delegacia e a procuradoria de Celendín, entrando em confronto com a polícia e soldados.

Humala, que já foi militar, afirma que a mina deve gerar milhares de empregos e uma enorme receita em impostos na região norte de Cajamarca. Até agora, no entanto, ele não comentou sobre a violência dos últimos dias. Seus ministros suspenderam a liberdade de associação para reprimir os protestos e os parlamentares da oposição pediram que a polícia atue com mais moderação.

Os confrontos desta semana, os primeiros em oito meses de protestos contra a mina, devem intensificar os pedidos para que Humala substitua o primeiro-ministro Oscar Valdés, quando os líderes peruanos normalmente mudam o governo por volta de 28 de julho, Dia da Independência do Peru.

Valdés, que foi um dos instrutores de Humala nas Forças Armadas, liderou a repressão aos protestos contra a mina em novembro. Na época, ele era ministro do Interior e depois foi promovido.

O líder de esquerda Marco Arana, ex-padre católico que tem promovido as manifestações para deter a construção de uma das maiores minas da história peruana, foi libertado da custódia polícia depois que um vídeo divulgado na TV local mostrou imagens de sua prisão e de agressões da polícia contra ele na quarta-feira.

Arana e aliados de esquerda afirmam que Humala inclinou-se muito para a direita desde que assumiu o poder e que colocou os interesses das mineradoras internacionais acima dos camponeses pobres.

Opositores ao projeto de mineração afirmam que ele causaria muita poluição, prejudicaria o abastecimento de água e não geraria benefícios suficientes à economia local. Celendín é um reduto da oposição contrária à mina de ouro de Conga. O proprietário majoritário da mina é a Newmont Mining Co., companhia dos EUA com base no Estado do Colorado.

Legado: Peruanos confrontam dolorosas cicatrizes de guerra civil

Os manifestantes antimineração acusam Humala, que foi eleito há um ano, de trair a promessa de campanha que fez a Cajamarca de que o acesso à água limpa viria antes da mineração.

Humala modificou sua mensagem depois da posse e saiu da esquerda para o centro político afirmando que a mineração responsável pode coexistir com a proteção ambiental e oferece uma renda importante para ajudar a tirar da pobreza vários peruanos que vivem no meio rural.

A mineração corresponde a mais de 60% da renda de exportação do Peru e tem sido o motor de um crescimento econômico de uma década.

*Com Reuters

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