Argentina condena ex-líderes militares à prisão por roubo de bebês

Jorge Rafael Videla recebeu 50 anos de prisão, enquanto Reynaldo Benito Bignone foi condenado a 15 anos

iG São Paulo | - Atualizada às

A Justiça argentina condenou à prisão nesta quinta-feira os ex-líderes militares Jorge Rafael Videla e Reynaldo Benito Bignone pelo roubo e desaparecimento de bebês e outros crimes de lesa humanidade durante o regime militar no país (1976-1983).

Argentina: Ex-ditador Jorge Videla admite desaparecimentos durante regime

AP
Ex-ditadores Jorge Rafael Videla (E) e Reynaldo Bignone escutam sentença em tribunal de Buenos Aires

Videla, que recebeu prisão perpétua em 2010 por assassinato, tortura e sequestro, foi condenado a 50 anos, enquanto Bignone recebeu uma sentença de 15 anos. Além de Videla e Bignone, outros nove acusados escutavam as sentenças, enquanto do lado de fora dezenas celebravam as condenações, que eram transmitidas por um telão.

O ex-almirante Antonio Vañek foi condenado a 40 anos de prisão pelo desaparecimento de dez menores, enquanto Jorge “Tigre” Acosta recebeu uma pena de 10 anos de prisão.

'Desaparecimentos'

Em abril,  Videla admitiu que a ditadura do país "desaparecia" com opositores da esquerda, um eufemismo para o sequestro e assassinado deles. 

A promotoria havia pedido 50 anos de prisão para Videla e Bignone por 35 casos de apropriações ilegais.

O veredicto désta quinta-feira dá fim a um julgamento que teve início em fevereiro de 2011. Considerado um processo "emblemático", o julgamento começou por uma denúncia das Avós de Praça de Maio por "subtração, retenção, ocultação e substituição de identidade de menores de dez anos". 

De acordo com o jornal argentino La Nación, estima-se que 400 bebês tenham nascido em cativeiro e roubados de seus pais biológicos, que se encontravam presos durante os anos da ditadura.

AP
Ativista se emociona ao ouvir sentença contra ex-ditadores em Buenos Aires

*Com BBC e AFP

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