Presidente do Uruguai reafirma seu apoio a ingresso da Venezuela no Mercosul

Mujica confirma que reunião reservada entre chefes de Estado ocorreu a pedido de Dilma e afirma que 'político superava largamento o jurídico' na questão da adesão de Caracas

iG São Paulo | - Atualizada às

O presidente do Uruguai, José Mujica, confirmou a decisão de seu país de apoiar a entrada da Venezuela no Mercosul após a suspensão do Paraguai do bloco, publicou nesta quarta-feira a imprensa local.

Bloco: Mercosul suspende Paraguai e anuncia adesão da Venezuela

AP
Presidentes da Argentina, Cristina Kirchner, do Brasil, Dilma Rousseff, e do Uruguai, José Mujica, posam para foto de reunião do Mercosul em Mendoza, Argentina (29/06)

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"Embora seja verdade que quem pediu a reunião reservada tenha sido Dilma (Rousseff) , concordamos os três (presidentes, da Argentina, Brasil e Uruguai) sobre a entrada da Venezuela no bloco", declarou Mujica ao jornal La República sobre a cúpula do Mercosul de sexta-feira.

"O político superava largamente o jurídico", disse Mujica sobre o contexto durante o encontro da semana passada em Mendoza (oeste da Argentina) do Mercosul, bloco do qual o Paraguai foi suspenso após a destituição de Fernando Lugo . Após sua aprovação, a Venezuela deve entrar no bloco durante reunião que será realizada no Rio de Janeiro em 31 de julho.

A entrada da Venezuela no Mercosul não havia sido ratificada pelo Senado paraguaio, medida que já havia sido adotada pelos legislativos de Argentina, Brasil e Uruguai. O Mercosul foi constituído em 1991 após a assinatura do denominado Tratado de Assunção entre Argentina, Brasil, Paraguai e Uruguai.

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O Senado paraguaio "há cinco anos nos negava o ingresso da Venezuela ao Mercosul com argumentos imorais e agora destituíram um presidente", disse. Uruguai "não poderia vetar o eventual ingresso da Venezuela quando foi o Parlamento uruguaio que decidiu aprovar sua incorporação", añadió.

Previamente às declarações de Mujica ao jornal, o secretário da presidência uruguaio, Diego Cánepa, disse que não há contradições entre os integrantes do Mercosul sobre como foi decidida a entrada da Venezuela no bloco.

Marco Aurélio Garcia, assessor especial da presidência brasileira para assuntos internacionais, "transmitiu o correto, que houve consenso (...) na reunião de presidentes, quando se entendeu que era estratégico o ingresso da Venezuela".

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A controvérsia sobre um possível dissenso entre os países-membros sobre a entrada da Venezuela no bloco foi desatada na segunda-feira, quando o chanceler uruguaio, Luis Almagro, afirmou "que não era o momento nem as circunstâncias (de aceitar a Venezuela)", dizendo que Montevidéu tinha "restrições jurídicas, políticas e éticas a esse respeito..."

Segundo Almagro, o ingresso venezuelano foi resolvido em um encontro privado entre Dilma, Cristina Kirchner (Argentina) e Mujica, mas que a iniciativa foi fundamentalmente brasileira. O posicionamento do Brasil " foi decisivo nessa história ".

Na terça-feira, o jornal uruguaio El Observador publicou uma entrevista do vice-presidente do Uruguai, Danilo Astori, considerado o arquiteto da política econômica do país, também criticando a decisão tomada por Mujica. Segundo ele, a entrada da Venezuela era "talvez a ferida mais grave do Mercosul em seus 21 anos (...) por atingir o coração do Tratado de Assunção".

Marco Aurélio Garcia negou as declarações do chanceler uruguaio afirmando que a decisão foi adotada de forma "unânime" pelos três países. "Não exercemos pressão sobre qualquer país porque não é o estilo da presidenta Dilma Rousseff fazer pressão", disse.

A Argentina também reagiu às declarações de Almagro afirmando que a Venezuela "é o novo Estado do Mercosul" e "sua entrada como membro pleno foi uma decisão unânime dos presidentes de Argentina, Brasil e Uruguai durante a Cúpula de Mendoza".

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"O Uruguai já resolveu esse tema. O ingresso da Venezuela foi votado em nosso país há quase cinco anos. Institucionalmente, o presidente não pode fazer outra coisa senão apoiar tal decisão", concluiu o secretário da presidência do Uruguai.

Quando questionado sobre seu chanceler, Mujica respondeu: "Eu sou o responsável, e não ele. Estou de acordo com seu desempenho. Atuou muito bem, e quanto mais o criticarem, mais o grudarão na cadeira do ministério, porque vou defendê-lo", disse. Almagro foi convocado pelo Senado do Uruguai para depor sobre a entrada da Venezuela como membro pleno do Mercosul.

*Com AFP, EFE e Valor

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