México recontará mais da metade dos votos da eleição presidencial

Anúncio é feito um dia depois de esquerdista López Obrador ter pedido recontagem total

iG São Paulo | - Atualizada às

EFE
Líder da esquerda do México, Andrés Manuel López Obrador, concede coletiva na Cidade do México (02/07)

O secretário-executivo do Instituto Federal Eleitoral (IFE) do México, Edmundo Jacobo, anunciou nesta quarta-feira que mais da metade dos votos das eleições presidenciais de domingo serão recontados, uma porcentagem muito superior às previsões iniciais, após terem sido encontradas inconsistências nas contagens.

López Obrador: Esquerda mexicana pede recontagem de todos os votos

Será necessário recontar 54,5% das urnas eleitorais, que correspondem a 78.012 mesas de votação. Isso supera amplamente a previsão inicial de 45 mil a 50 mil mesas de votação, ou um terço dos votos, segundo cálculos do IFE divulgados na terça-feira.

O anúncio foi feito em coletiva do IFE poucas horas após o início da contagem oficial dos votos. "Trata-se do exercício de maior abertura, transparência e máxima publicidade na história eleitoral do país", afirmou o secretário-executivo do IFE.

A lei eleitoral dos Estados do México especifica que os votos devem ser recontados se houver inconsistências nos relatórios finais, quando os resultados mostrarem uma diferença de um ponto porcentual ou menos entre os dois primeiros colocados ou se todos os votos de uma urna estiverem a favor de um dos candidatos.

Com 99% dos votos apurados em uma contagem preliminar, Enrique Peña Nieto , do Partido Revolucionário Institucional (PRI), lidera com 38,14% dos votos. O esquerdista Andrés Manuel López Obrador, do Partido da Revolução Democrática (PRD), obteve 31,64%.

Jacobo também informou que, na eleição para senadores, haverá recontagem dos votos em 61,3% das mesas de votação, enquanto na de deputados federais, 60,3%. Segundo ele, a expectativa é de que até quinta-feira, às 9h10 locais (11h10 de Brasília), seja concluído o cômputo dos votos da eleição presidencial.

López Obrador rejeitou a contagem preliminar e pediu  recontagem total dos votos  afirmando que os resultados que dão a vitória a Peña Nieto têm como base métodos  fraudulentos  usados pelo PRI durante o dia da votação.

Perfil: Peña Nieto, a imagem de um PRI renascido que busca esquecer o passado no México

No entanto, o IFE rejeitou a recontagem total, afirmando que cabe às autoridades eleitorais regionais decidir se recontarão os votos da eleição presidencial. Segundo Jacobo, cada um dos 300 distritos eleitorais poderia ordenar uma recontagem se certos critérios estipulados pela lei forem cumpridos.

Ex-prefeito da Cidade do México, López Obrador pediu uma recontagem em 2006 depois de perder para o atual presidente mexicano, Felipe Calderón, por cerca de meio ponto percentual, alegando que ele havia sido roubado.

Ao contrário de hoje, a lei não previa uma recontagem total e seu pedido foi rejeitado. Depois disso, López Obrador realizou protestos em massa que obstruíram a capital durante semanas.

A corrida presidencial de 2006 foi muito mais acirrada do que em 2012, e analistas disseram na terça-feira que não esperavam que a exigência de uma recontagem mudasse o resultado da votação de domingo.

A eleição de domingo marcará o retorno do PRI ao poder após 12 anos na oposição, e o partido rejeitou as alegações de López Obrador. O PRI governou o México entre 1929 e 2000, um regime que foi marcado por denúncias frequentes de fraude eleitoral e corrupção.

*Com AP, Reuters, EFE e AFP

    Leia tudo sobre: méxicoeleição no méxicopeña nietoobradorpriprd

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG