Após abertura de testamento, montante de cerca de R$ 51,69 milhões será distribuído entre viúva e filhos do ditador chileno que morreu em 2006

O testamento original de Augusto Pinochet, aberto nesta quarta-feira em um tribunal de Santiago durante a investigação sobre o enriquecimento do ex-ditador chileno (1973-1990), não detalha seus bens, apenas define a divisão de seu legado entre os herdeiros.

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A investigação judicial determinou que a fortuna de Pinochet, falecido em 10 de dezembro de 2006, supera os US$ 26 milhões. Destes, somente US$ 2 milhões possuem justificativa contábil.

Pinochet morreu sem receber qualquer sentença por crimes referentes ao período da ditadura militar, como o desaparecimento de mais de 3 mil pessoas (foto de arquivo)
AP
Pinochet morreu sem receber qualquer sentença por crimes referentes ao período da ditadura militar, como o desaparecimento de mais de 3 mil pessoas (foto de arquivo)

"No testamento, os bens não são detalhados. Somente é informada a porcentagem que cada pessoa recebe", declarou aos jornalistas o tabelião Humberto Quezada, que participou da abertura do documento, que tem duas páginas e foi assinado em 3 de setembro de 2000.

Ao fim do processo, a viúva de Pinochet, Lucía Hiriart, deve receber 50% do total da herança, enquanto seus cinco filhos recebem, em conjunto, a outra metade.

O órgão público Conselho de Defesa do Estado (CDE) pediu a abertura do testamento de Pinochet, falecido no dia 10 de dezembro de 2006 vítima de uma insuficiência cardíaca, para assegurar o pagamento de tributos e eventuais indenizações em julgamentos civis ainda em andamento contra ele, e pelos quais todos os seus bens encontram-se embargados.

"A finalidade de abrir o testamento está relacionada com um conjunto de ações no qual o fisco possui interesse, particularmente em matéria tributária ou para eventuais ações indenizatórias", explicou Carlos Mackenney, advogado do CDE.

Até agora, a família do ex-ditador - sua viúva e seus cinco filhos - teria se negado a abrir o testamento porque pensava que seu conteúdo poderia gerar conflitos entre familiares ao revelar favoritismos do ex-ditador, em especial por sua filha mais nova, Jacquelinne.

O testamento data de 3 de setembro de 2000, pouco depois de o ex-ditador ter voltado ao Chile de Londres, após 503 dias sob prisão domiciliar, por ordem da justiça espanhola que buscava sua extradição para julgá-lo por crimes contra a humanidade.

Em seu retorno ao Chile, Pinochet exerceu por algum tempo o cargo de senador vitalício, para depois se retirar da vida pública. Foi perseguido pela Justiça, que o manteve sob prisão domiciliar por dois casos de violações dos direitos humanos atribuídos ao seu regime, mas morreu sem receber nenhuma condenação pelos crimes durante o seu regime.

Vítimas

Em agosto do ano passado, o governo chileno reconheceu mais 9,8 mil vítimas da ditadura militar, aumentando o total de mortos, torturados e presos políticos para 40.018.

A decisão é fruto de um esforço de 2004, que determinou que 27.153 sobreviventes mereciam uma compensação financeira mensal do governo pelas violações de direitos humanos que sofreram durante o regime militar (1973-1990).

Com os 3.065 que foram mortos durante o regime militar, desapareceram ou são dados como mortos, a lista de vítimas oficial aceita pelo presidente chileno, Sebastián Piñera, passou a contabilizar mais de 40 mil vítimas no Chile.

*Com EFE e AFP

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