Corpo de Arafat pode ser exumado por suspeita de envenenamento

Autoridade Palestina define medida após documentário da rede Al-Jazeera indicar que líder palestino pode ter sido envenenado por elemento radioativo polônio-210

iG São Paulo |

A Autoridade Palestina concordou nesta quarta-feira em exumar o corpo de Yasser Arafat, após novas acusações de que o líder palestino teria sido envenenado com o elemento radiativo polônio-210 em 2004.

Cinco anos da morte:  Palestinos relembram morte de Arafat

EFE/Wael Hamzeh
Homens seguram cartaz com foto do ex-presidente palestino Yaser Arafat durante manifestação (27/05/2010)

Como parte de uma investigação do canal Al-Jazeera, um instituto de Lausanne, Suíça, fez análises com uma mostra biológica retirada de roupas e outros pertencer fornecidos pela viúva de Arafat e disse ter encontrado níveis "surpreendentemente altos" de polônio-210, embora os sintomas descritos nos boletins médicos não fossem consistentes com esse agente radiativo.

Os pertences haviam sido entregues à viúva pelo hospital militar de Percy, ao sul de Paris, onde Arafat morreu em 2004. "A conclusão é que detectamos um nível significativo de polônio nas mostras", afirma François Bochud, diretor do Institute for Radiation Physics de Lausanne, no documentário, que precisou de nove meses de investigação, segundo a Al-Jazeera.

A Autoridade Palestina disse que aprovará a solicitação de Suha Arafat , a viúva, para que os restos mortais sejam retirados de seu mausoléu na cidade de Ramallah, na Cisjordânia.

"A Autoridade, como sempre, está disposta a cooperar completamente e a liberar o caminho para uma investigação sobre as verdadeiras causas que levaram ao martírio do presidente", disse Nabil Abu Rdeineh, porta-voz do sucessor de Arafat como presidente palestino, Mahmoud Abbas. Ele não citou prazos para a exumação.

"Quero que o mundo saiba a verdade sobre o assassinato de Yasser Arafat", disse Suha à Al-Jazeera, sem fazer acusações diretas, mas observando que Israel e os EUA o viam como um obstáculo à paz. A viúva disse que o atestado de óbito oficial "afirma que a causa da morte foi a destruição de glóbulos vermelhos, sem mencionar a origem do problema".

Também nesta quarta, o negociador palestino Saeb Erakat pediu a formação de uma comissão de investigação internacional sobre a morte de Arafat. "Pedimos a formação de uma comissão de investigação internacional com base no modelo da comissão de investigação internacional sobre o assassinato do primeiro-ministro libanês Rafic Hariri ", declarou Erakat à.

Arafat, ex-guerrilheiro e ganhador do Nobel da Paz, morreu em 11 de novembro de 2004, aos 75 anos. Na época, ele estava rompido com Israel depois da violenta interrupção do processo de paz em 2000.

Depois de passar muito tempo doente, Arafat foi transferido de seu quartel-general em Ramallah nos seus últimos dias de vida para Paris, onde os quase 50 médicos que o atenderam disseram ser incapazes de estabelecer a causa da sua morte. Autoridades francesas se recusaram a apresentar detalhes sobre a doença, amparando-se em leis que protegem a privacidade.

O polônio, aparentemente ingerido em alimentos, já foi apontado como responsável pela morte, após prolongada agonia, do ex-espião russo Alexander Litvinenko, em 2006 em Londres.

Israel negou ter envolvimento na morte de Arafat, e Avi Dichter, na época chefe do serviço de inteligência israelense, o Shin Bet, disse na quarta-feira que o ônus da prova cabe aos palestinos.

"O corpo está nas mãos deles. Está em Ramallah, e realmente todas as chaves estão nas mãos deles", afirmou Dicther à Rádio Israel.

*Com Reuters e AFP

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