Líder da esquerda mexicana ameaça contestar validade de eleição

Apesar de vitória de Peña Nieto ter sido reconhecida por outros candidatos e presidente Calderón, López Obrador diz que reunirá provas para comprovar fraudes do PRI

iG São Paulo |

O líder do Partido da Revolução Democrática (PRD) do México, o esquerdista Andrés Manuel López Obrador, afirmou na segunda-feira que as eleições presidenciais de domingo no país estiveram "infestadas de irregularidades" e ameaçou contestar a validade da votação caso sejam confirmados os resultados preliminares que indicam que ele perdeu por seis pontos do candidato Enrique Peña Nieto , do Partido Revolucionário Institucional (PRI).

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Segundo o Programa de Resultados Eleitorais Preliminares (Prep), que foi encerrado às 20h locais de segunda-feira e levou em conta os dados de 98,95% das atas, o candidato do PRI venceu as eleições com 38,14% dos votos, enquanto López Obrador ficou em segundo lugar, com 31,64%.

Apesar de esse resultado ainda não ter validade jurídica, o triunfo de Peña Nieto, que devolve ao poder o partido que governou o México de 1929 a 2000, foi rapidamente reconhecido no domingo à noite pelos outros candidatos e pelo presidente Felipe Calderón.

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Em coletiva, López Obrador afirmou que não está disposto a aceitar um "resultado fraudulento" nas eleições. No entanto, quando questionado se poderia garantir que houve fraude, respondeu: "Temos de reunir os elementos, jamais fazemos uma denúncia se não apresentamos provas."

Na quarta-feira, nos 300 distritos eleitorais, começará o cômputo oficial somando os resultados de todas as cédulas, e os partidos ou candidatos podem pedir uma nova apuração em seções determinadas.

Na coletiva, López Obrador ignorou o resultado do Prep e afirmou que esperará o cômputo oficial das cédulas em cada distrito.

Perguntado sobre se impugnaria as eleições caso os dados oficiais sejam os mesmos da apuração preliminar, o esquerdista foi taxativo: "Sim, vamos impugná-las." Mas também insistiu em esgotar todos os processos legais antes de chegar a uma conclusão final.

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"Como se compreenderá, não posso aceitar nenhum resultado até não ter a certeza de que se respeite o voto dos cidadãos. É imprescindível que não restem dúvidas sobre os resultados, pelo bem do México e de nosso povo."

Em 2006, quando López Obrador perdeu as eleições presidenciais para o atual líder mexicano, Felipe Calderón, por uma pequena margem de 0,56%, o esquerdista se recusou a reconhecer os resultados e se atribuiu a vitória nas urnas.

Convocou seus simpatizantes a uma mobilização permanente em importantes pontos da capital mexicana, durante três meses, protestos que provocaram desordem na cidade e mancharam a imagem política de López Obrador.

Veja imagens das eleições no México:

Na segunda-feira, o esquerdista denunciou especialmente a suposta compra de votos de parte do PRI. "O candidato do PRI usou dinheiro em abundância, bilhões de pesos, de procedência ilícita, e ultrapassou em muito o permitido pela lei", afirmou o líder da esquerda.

"Se forem descartados os votos comprados, ganhamos com bastante margem. Não podemos aceitar um resultado fraudulento."

Enquanto concedia a entrevista, nas ruas da capital se manifestavam dezenas de milhares de jovens agrupados pelo movimento YoSoy132, que irrompeu com força na campanha eleitoral pedindo mais liberdade, mais democracia e melhores informações na imprensa.

Na manifestação, que se desenvolveu de forma ordenada e pacífica, os participantes cantavam lemas como "Fora Peña" e levavam cartazes com dizeres como "Prefiro morrer de pé do que viver ajoelhado a Peña Nieto".

A passeata, que percorreu pontos nevrálgicos da capital e causou caos no trânsito, foi a maior já protagonida por jovens desse movimento nas últimas semanas.

*Com EFE e AFP

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