Presidente eleito com 38% dos votos prometeu adotar uma nova estratégia para reduzir a violência e proteger a vida dos mexicanos

Enrique Peña Nieto , cuja vitória com 38% dos votos garantiu ao partido que governou o México por 71 anos voltar ao poder após um hiato de 12 anos, afirmou no domingo que buscará a reconciliação e a união nacional e prometeu uma presidência "moderna e responsável".

Resultado: Peña Nieto, do PRI, vence eleições presidenciais do México

Enrique Peña Nieto comemora vitória nas urnas durante discurso na Cidade do México
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Enrique Peña Nieto comemora vitória nas urnas durante discurso na Cidade do México

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O presidente eleito assegurou que continuará lutando contra o crime organizado, embora com uma nova estratégia para reduzir a violência e proteger a vida dos mexicanos. A unidade dos mexicanos "é indispensável; é momento de propiciar e encorajar a reconciliação nacional" e de "deixar de lado nossas diferenças e privilegiar nossas coincidências", acrescentou.

Peña Nieto afirmou que assumia com "emoção" e "plena responsabilidade" o mandato outorgado pelos mexicanos, assegurando que governará para todos. Após agradecer aos milhões de mexicanos que compareceram às urnas, assim como a seus adversários políticos, prometeu uma "presidência moderna, responsável, aberta à crítica e disposta a escutar e a levar todos em conta".

Disse que se trata de segunda oportunidade para seu Partido Revolucionário Institucional (PRI), que deteve o poder de 1929 até o ano 2000, e prometeu honrá-la com resultados e uma nova forma de governar. "O país demanda trabalho, colaboração e, sobretudo e mais importante, resultados", disse o advogado de 45 anos em seu discurso, no qual prometeu trabalhar nos meses de transição nas reformas estruturais que o país requer.

Peña Nieto assinalou que liderará um governo "eficaz, honesto, transparente e que presta contas" a partir de 1º de dezembro, quando assuma a presidência mexicana das mãos do conservador Felipe Calderón, do Partido Ação Nacional (PAN).

Acompanhado por sua esposa, a atriz Angélica Rivera, Peña Nieto disse que se esforçará para dar resposta às demandas legítimas da população, mas pediu unidade aos mexicanos para superar juntos os desafios que enfrenta o país.

Peña Nieto também dedicou algumas palavras a Calderón, que o felicitou por sua vitória nas urnas, reconhecendo "sua vocação democrática, sua conduta e respeito pelo processo eleitoral", assim como sua determinação de enfrentar decisões difíceis em seu governo. Além disso, o candidato disse que impulsionará uma "renovada economia de livre mercado com sentido social que produza empregos e distribua a riqueza".

O candidato do PRI venceu as eleições com apenas sete pontos de diferença do segundo colocado, o esquerdista Andrés Manuel López Obrador, do Partido da Revolução Democrática (PRD). Josefina Vázquez Mota, candidata do PAN, obteve 25%.

Volta do PRI

Uma vitória de Peña Nieto levou o PRI de volta ao poder após 12 anos. O partido governou o México de 1929 a 2000, até a vitória de Vicente Fox, também do PAN, presidente que antecedeu a Calderón.

Obrador ficou em segundo lugar nas eleições presidenciais de 2006. Na época, ele se recusou a reconhecer a vitória de Calderón e liderou uma série de protestos. Dessa vez, todos os candidatos prometeram respeitar o resultados da votação , que não prevê um segundo turno.

Além de seu novo presidente, os eleitores mexicanos escolheram neste domingo novos congressistas, alguns governadores e prefeitos, numa eleição marcada pelo debate sobre economia e a guerra às drogas .

Autoridades mexicanas afirmaram que a votação transcorreu pacificamente na grande maioria do país. Milhares de policiais foram mobilizados para proteger quase 80 milhões de eleitores de possíveis atos de violência de cartéis em zonas eleitorais.

Economia e segurança

No campo econômico, as questões mais prementes na campanha eleitoral foram a pobreza extrema - que afeta quase um terço dos mexicanos - e a sensação, de grande parte da população, de perda de poder aquisitivo, apesar das taxas de crescimento recentes do país (entre 3% e 4%).

Outro tema importante do debate eleitoral foi a insegurança. O México vive sua maior onda de violência ligada ao narcotráfico, com casos de chacinas, sequestros e desaparecimentos relacionados a disputas entre cartéis, e entre narcotraficantes e autoridades.

São estimados 50 mil mortos desde 2006, quando Calderón foi eleito e abriu uma ofensiva contra o narcotráfico. No entanto, não é esperada uma mudança radical na política de repressão ao tráfico nem a retirada do Exército das ruas do país.

Outro tema que ganhou destaque durante a campanha foi o papel regional do México. Para muitos mexicanos, é hora de o país tentar recuperar seu protagonismo na América Latina, perdido para o Brasil nos últimos anos.

*Com EFE e BBC

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