Peña Nieto leva PRI de volta ao poder no México, mas sem maioria sólida

Após vencer com 38% dos votos, novo presidente terá de buscar alianças para alcançar reformas prometidas durante a campanha eleitoral

iG São Paulo | - Atualizada às

O Partido Revolucionário Institucional (PRI), que governou o México por 71 anos até 2000, recuperou o poder após 12 anos na oposição, mas provavelmente terá de buscar alianças para realizar as reformas prometidas depois de conquistar a presidência por uma margem mais estreita do que as pesquisas previam.

Pefil: Peña Nieto, a imagem de um PRI renascido que busca esquecer o passado 

Presidência: Peña Nieto pede reconciliação nacional após sua vitória no México

Enrique Peña Nieto , do PRI, declarou-se vencedor da eleição presidencial de domingo logo depois que uma contagem inicial das autoridades eleitorais do México deu-lhe uma liderança clara.

AP
Enrique Peña Nieto comemora vitória nas urnas durante discurso na Cidade do México

Com a promessa de revigorar a economia e reduzir a violência do tráfico de drogas , o político de 45 anos assume o cargo em dezembro para um mandato de seis anos como presidente, devolvendo o poder ao partido que dominou a política mexicana durante a maior parte do século passado, às vezes implacavelmente.

As pesquisas de opinião nos últimos dias antes da eleição previam a vitória de Peña Nieto por uma margem de entre 10 e 15 pontos percentuais. Mas o  candidato do PRI venceu as eleições com apenas sete pontos de diferença do segundo colocado, o esquerdista Andrés Manuel López Obrador, do Partido da Revolução Democrática (PRD). Josefina Vázquez Mota, candidata do PAN, obteve 25%.

Entrevista ao iG: Novo presidente do México quer parceria com o Brasil

"Os mexicanos deram ao nosso partido uma chance. Vamos honrá-los com resultados", disse um visivelmente emocionado Peña Nieto aos partidários dentro da sede do PRI na Cidade do México, onde choveram confetes sobre os eleitores em festa.

O conservador Partido da Ação Nacional (PAN), de Calderón, sofreu uma derrota esmagadora, prejudicado por sua incapacidade de impulsionar o crescimento econômico e reduzir a violência de uma guerra contra as drogas que já matou dezenas de milhares de pessoas e destruiu a imagem do México.

Peña Nieto vai assumir em um momento em que as finanças do México estão em ordem e a economia está começando a melhorar, embora ainda não possa gerar emprego suficiente para a população crescente.

Reputação

Embora o PRI tenha conquistado uma reputação de política sem escrúpulos e muitas vezes corrupta quando governou entre 1929 e 2000, seu domínio de 71 anos no poder permitiu ao partido se vender nessa campanha como o que melhor sabe como governar.

E o seu candidato, famoso tanto por sua aparência impecável quanto por suas habilidades políticas, convenceu muitos eleitores de que o seu partido aprendeu as lições do passado. "O PRI já aprendeu a ouvir as pessoas, eles aprenderam que não são reis... a se envolver com as pessoas, entendê-las e governar em uma coalizão com o povo", disse o estudante de 20 anos Hector Pérez.

Ainda não estava claro como os partidos seriam representados no Congresso, mas os resultados incompletos sugeriam que o PRI pode ter dificuldades para conquistar uma maioria operante, deixando-o dependente de outros partidos para prosseguir com sua agenda de reformas.

Tendo comandado o México como um Estado praticamente de partido único pela maior parte do século 20, o PRI foi derrotado em uma eleição há 12 anos e foi dado por muitos como "morto" quando terminou em terceiro lugar na votação presidencial de 2006.

Promessas

Peña Nieto prometeu elevar o crescimento econômico a cerca de 6% ao ano, criar empregos e reduzir a violência da guerra contra as drogas que já matou mais de 55 mil desde o fim de 2006. Suas principais propostas de reforma incluem permitir maiores investimentos privados na indústria estatal de petróleo do México.

López Obrador poderia ainda optar por contestar o resultado da eleição, como fez seis anos atrás, quando ele perdeu por pouco para Calderón e lançou meses de protestos, alegando fraude. Nas últimas semanas, ele havia dito que a campanha eleitoral também foi cheia de irregularidades, levantando preocupações de que ele poderia novamente convocar seus partidários às ruas. Na noite de domingo, ele falou apenas que iria esperar até que todos os resultados estivessem contabilizados.

O PAN levantou grandes esperanças quando foi eleito em 2000, mas a economia crescendo a uma média de 2% ao ano desde então e a guerra contra as drogas têm golpeado a reputação de Calderón. "Nada melhorou desde que o PAN entrou", disse o encanador da Cidade do México Raimundo Salazar, de 44 anos. "O PRI entende como as coisas funcionam aqui. E ele sabe como lidar com os traficantes."

Peña Nieto construiu sua reputação como governador do Estado do México, em 2005 a 2011, onde supervisionou o crescimento econômico sólido e derrubou a dívida do governo. "Ele fez um trabalho realmente bom... construiu muitos hospitais, estradas e escolas", disse Lino Posadas, 30 anos, funcionário de estacionamento da cidade de San José del Rincón, no Estado do México.

Para seus críticos, Peña Nieto é um produto criado pelas principais empresas de televisão do México para servir como um representante das maiores empresas do país e das elites dirigentes do PRI. "Ele foi imposto a nós por interesses poderosos como as estações de TV e presidentes antigos", disse o bioquímico Javier Aguilar, 62 anos.

*Com Reuters

    Leia tudo sobre: méxicoeleição no méxicopeña nietocalderónobradorpanpri

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG