Islamitas do Mali atacam famosa mesquita da cidade histórica de Timbuktu

Grupo aliado à Al-Qaeda do Magreb Islâmico destruiu sete de 16 mausoléus da cidade, considerada patrimônio pela Unesco. Eles assumiram controle local após golpe de março

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Os islamitas que controlam Timbuktu, no norte do Mali, atacaram nesta segunda-feira uma das mesquitas mais famosas da cidade histórica de Timbuktu, disseram residentes. Previamente, eles haviam destruído sete de 16 mausoléus de santos muçulmanos, atos que promotora do Tribunal Penal Internacional (TPI) disse que se equiparam a "crimes de guerra".

"Os islamitas acabam de destruir a entrada da mesquita Sidi Yahia de Timbuktu", situada no sul da cidade. "Arrancaram a porta sagrada que nunca era aberta", disse uma testemunha à AFP. A informação foi confirmada por outros moradores de Timbuktu.

Um deles, que antes trabalhava como guia turístico da cidade, declarou: "Vieram com picaretas, começaram a gritar 'Alá' e arrombaram a porta. Isso é muito grave. Alguns dos civis que observavam choraram."

Um membro da família de um imã que disse ter falado com os islamitas do grupo Ansar Din (Defensores do Islã), que ocupam a cidade há três meses, contou que eles agiram dessa forma porque "alguns diziam que no dia em que esta porta se abrisse seria o fim do mundo, e quiseram mostrar que não é o fim do mundo".

A porta de madeira localizada na ala sul da mesquita estava fechada havia décadas, pois, segundo as crenças locais, sua eventual abertura provocaria uma desgraça. Essa porta conduz a um sepulcro de santos e, se os islamitas soubessem, "teriam destruído tudo", afirmou outra testemunha.

A cidade de Timbuktu e o Túmulo de Askia (norte do Mali), tomados pelos islamitas, foram incluídos na lista de patrimônio mundial em perigo a pedido do governo do Mali, anunciou na quinta-feira a Organização da ONU para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco).

A destruição atual de mausoléus na cidade de Timbuktu é um "crime de guerra" que o Tribunal Penal Internacional (TPI) pode investigar, declarou no domingo em Dacar a promotora Fatu Bensuda.

Depois de atacar os mausoléus de santos, o Ansar Din ameaçou no fim de semana destruir as mesquitas da cidade, afirmando que agia "em nome de Deus" e em represália pela decisão da Unesco, em 28 de junho, de inscrever Timbuktu na lista de patrimônio mundial em perigo.

A mesquita de Sidi Yahia é uma das três grandes mesquitas de Timbuktu, juntamente com as de Djingareyber e Sankore, joias arquitetônicas do auge dessa cidade.

A associação de líderes religiosos do Mali condenou "o crime de Timbuktu". "Até o profeta (Maomé) ia visitar os túmulos e os mausoléus. Isso é intolerância", considerou a associação em um comunicado publicado no domingo.

A Unesco considerou que a presença de islamitas colocava em perigo Timbuktu, uma cidade mítica apelidada de "cidade dos 333 santos", em referência aos personagens venerados de seu passado cujos túmulos se encontram ali.

Os islamitas do Ansar Din, assim como os do Movimento pela Unidade e pela Jihad na África do Oeste, aliados da Al-Qaeda no Magreb Islâmico , aproveitaram um golpe de Estado militar em 22 de março em Bamako para acelerar seu avanço em todo o norte do Mali. Atualmente dominam essa região em detrimento dos rebeldes tuaregues . Seu objetivo é impor a sharia (lei islâmica) em todo o Mali.

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