Governo japonês enfrenta revolta, mas mantém maioria

Liderados por veterano político, 50 legisladores deixam partido governista em protesto a proposta fiscal, mas debandada pode ajudar premiê Noda a pacificar legenda

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O veterano político Ichiro Ozawa e dezenas de outros parlamentares deixaram nesta segunda-feira o partido governista do Japão, em protesto contra uma proposta de elevação do imposto sobre consumo.

Ascensão: Câmara japonesa nomeia Yoshihiko Noda novo primeiro-ministro

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Primeiro-ministro do Japão e presidente do governista Partido Democrático, Yoshihiko Noda, é visto durante entrevista em frente de sua residência oficial em Tóquio

Vitória: Yoshihiko Noda vence eleição e será novo premiê do Japão

O governo, no entanto, manteve sua maioria na Câmara e as deserções podem ajudar o primeiro-ministro Yoshihiko Noda a pacificar o que resta do seu Partido Democrático do Japão (PDJ) e a negociar o apoio da oposição para aprovar projetos no Senado, onde o PDJ é minoritário.

"Com certeza Noda está com o champanhe no gelo. Ele ficará feliz de ver Ozawa pelas costas", disse Jeffrey Kingston, diretor de estudos asiáticos no campus japonês do Instituto Temple. "Ozawa tem muita bagagem e estava sendo uma dor de cabeça para o partido e para Noda em particular."

Ozawa, de 70 anos, foi um dos articuladores da ascensão do PDJ ao poder, em 2009. Seu grupo se opunha à proposta que eleva de 5% para 10% o imposto sobre consumo num prazo de três anos, alegando que isso viola promessas eleitorais.

O governo, que espera conter o déficit público com o aumento de impostos, conseguiu aprovar a medida na semana passada na Câmara, com a ajuda da oposição. Houve 57 votos contrários de deputados governistas, e 15 abstenções ou ausências.

Ozawa disse que 38 deputados e 12 senadores - a maioria deles novatos - deixarão o PDJ, o que deixa o partido com 251 deputados (em um total de 480). O chefe da facção rebelde disse que cogita criar um novo partido, no qual a oposição ao aumento tributário e a política nuclear serão prioridades.

Noda disse a jornalistas que o aumento do imposto é "uma reforma necessária para salvaguardar a subsistência de atuais e futuras gerações". Analistas preveem a aprovação da medida no Senado, com apoio do Partido Liberal Democrático, o principal da oposição.

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