Peña Nieto, do PRI, vence eleições presidenciais do México

Vitória com 38% dos votos garante a partido que governou México por 71 anos voltar ao poder após hiato de 12 anos

iG São Paulo | - Atualizada às

O Partido Revolucionário Institucional (PRI), que governou o México por 71 anos (1929-2000), voltará ao poder após 12 anos depois da vitória de seu candidato, Enrique Peña Nieto , com 38% dos votos nas eleições presidenciais de domingo. 

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AP
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O candidato do Partido da Revolução Democrática (PRD), o esquerdista Andrés Manuel López Obrador, ficou em segundo lugar com cerca de 31%. Em 2006, López Obrador foi derrotado por Felipe Calderón, do Partido Ação Nacional (PAN), cuja candidata Josefina Vásquez Mota ficou em terceiro com cerca ce 24% dos votos. 

A votação no México se encerrou às 18h locais (20h de Brasília) deste domingo. Em todo o território nacional, foram utilizadas 142.894 mesas eleitorais, menos do que as 143.132 inicialmente programadas.

De acordo com os partidos políticos, foram registradas cerca de 1 mil ocorrências, a maioria relacionada à abertura tardia dos centros de votação, além de incidentes como tentativas de compra de voto, propaganda ilegal em favor dos candidatos e confrontos entre militantes.

Advogado de 45 anos, Peña Nieto já foi governador e foi lançado candidato do tradicional PRI nas eleições deste ano se apresentando como a “nova cara” do partido. Ele liderava as pesquisas há mais de dois anos, até com certa folga, e não foi muito prejudicado por denúncias de corrupção e de ligação com narcotraficantes que atingiram lideranças do PRI no Estado de Tamaulipas – um dos mais afetados pela guerra às drogas .

No início do ano, Peña Nieto também chegou a admitir que tinha filhos com outras duas mulheres e, portanto, havia traído sua primeira esposa, mas a confissão também não representou nenhum grande impacto eleitoral. Viúvo em 2007, Peña Nieto se casou novamente em 2010, dessa vez com uma atriz popular da televisão mexicana.

Seus principais adversários o criticam pela suposta ligação com grupos empresariais e com a mais poderosa rede de televisão do México, a Televisa.

Além do novo presidente, os mexicanos escolheram neste domingo novos representantes para o Congresso e alguns governadores e prefeitos. Os principais temas debatidos durante a campanha foram a crise econômica e o combate às drogas. A violência causada pelo narcotráfico marcou a gestão de Calderón e é um dos problemas que mais afligem a população neste momento. São estimados 50 mil mortos em todo o país desde 2006.

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Na economia, a questão mais em voga é a pobreza extrema, que afeta quase um terço da população mexicana, e a sensação de perda do poder aquisitivo nos últimos anos, apesar das recentes taxas de crescimento terem ficado entre 3% e 4%.


PRD mantém capital

Na Cidade do México, capital do país, a esquerda manteve a prefeitura com a vitória de Miguel Ángel Mancera, do PRD, mesmo partido de López Obrador, que obteve cerca de 60% dos votos, de acordo com as pesquisas de boca de urna divulgadas pelos principais jornais locais. Em segundo lugar, ficou Beatriz Paredes, do PRI, com cerca de 25% dos votos.

A candidata do PAN, Isabel Miranda de Wallace, com cerca de 14% dos votos, ficou em terceiro lugar, seguida pela candidata do minoritário Partido Nova Aliança (Panal), Rosario Guerra, com 2% dos votos. 

Com agências internacionais

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