Presidente do Paraguai cogita buscar acordos comerciais fora do Mercosul

Federico Franco afirma que 'acabou a tutela' das nações vizinhas sobre o país e diz que prioridade é 'arrumar a casa'

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O presidente do Paraguai, Federico Franco, declarou nesta sexta-feira, diante da possível suspensão do país como membro do Mercosul , que "acabou a tutela" das nações vizinhas sobre o Paraguai, e acenou com a possibilidade de buscar acordos comerciais com países de outras partes do mundo.

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"A mensagem que estamos levando à comunidade internacional é de que esse sempre foi um país livre e independente", afirmou Franco em entrevista coletiva após receber no palácio do governo o vice-presidente Óscar Denis, designado na quinta-feira pelo Parlamento.

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Federico Franco (E) com o ministro das Relações Exteriores Jose Felix Fernandez Estigarribia em Assunção (28/6)

O mandatário reiterou que seu "primeiro desafio" é "arrumar a casa" e "entregar um país com governabilidade e estabilidade" ao candidato que sair vencedor das eleições previstas para 2013.

"Depois trataremos mais profundamente da política externa", acrescentou. Segundo Franco, o ministro das Relações Exteriores José Félix Fernández Estigarribia "tem orientações claras de normalizar as relações" com a região sul-americana.

Mercosul

Consultado sobre a rejeição que seu governo vem enfrentando entre os parceiros no Mercosul - Brasil, Argentina e Uruguai -, Franco respondeu que "acabou a tutela de países vizinhos e a imposição sobre o que a Constituição Nacional exige". "Vamos agir respeitando rigorosamente a Constituição", ressaltou ao defender novamente a legalidade do julgamento político que destituiu na sexta-feira passada  Fernando Lugo e permitiu a ascensão de Franco, até então vice-presidente, seguindo o processo de sucessão previsto na Constituição.

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Franco afirmou que o Paraguai, um país que em âmbito econômico depende em vários aspectos de seus dois grandes vizinhos, Brasil e Argentina, estuda aprofundar relações comerciais com outros blocos do mundo, mas preferiu não se estender muito sobre a questão. "O Paraguai, ao ser suspenso, está obviamente liberado para tomar qualquer tipo de decisão, mas vamos ponderar custos e benefícios e fazer o que for mais conveniente aos interesses da República do Paraguai", anunciou.

Os presidentes do Brasil, da Argentina e do Uruguai se reúnem nesta sexta-feira em Mendoza, Argentina, para analisar em reunião de cúpula do bloco a crise do Paraguai, que levou ao impedimento do país em participar do encontro.

Na quinta-feira, em reunião prévia realizada em Mendoza, os chanceleres do Mercosul apoiaram suspender  o Paraguai do bloco, provavelmente até as eleições de 2013.

Acusações

Franco se referiu também à acusação lançada na quinta-feira pela ministra da Defesa paraguaia, María Liz García, contra o presidente da Venezuela, Hugo Chávez, por haver supostamente tentado provocar uma revolta militar no Paraguai para salvar Lugo.

O governante recém-empossado disse que a ministra e o chanceler Fernández Estigarribia estão lidando diretamente com o assunto, que "é um tema complicado", anunciando que seu país vai tomar medidas de acordo com o "direito e as leis do Código Militar".

Além disso, Franco anunciou que Fernández Estigarribia denunciará internacionalmente que o caso "se trata de uma clara intromissão nos assuntos internos do Paraguai".

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