Chanceleres do Mercosul descartam apoiar sanções econômicas ao Paraguai

Decisão não estipula prazo e não inclui a aplicação de sanções econômicas ao país, afirma ministro Antonio Patriota

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No primeiro-dia do encontro do Mercosul , os chanceleres dos países do bloco recomendaram que o Paraguai seja suspenso dos trabalhos do bloco , mas sem a aplicação de sanções econômicas, segundo afirmou nesta quinta-feira o ministro brasileiro das Relações Exteriores, Antonio Patriota.

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EFE
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O ministro afirmou que o prazo de suspensão será definido pelos presidentes do bloco na reunião marcada para esta sexta-feira (29), também na cidade argentina de Mendoza.

Diplomatas envolvidos nas discussões sobre o Paraguai disseram que existe a possibilidade de que o Paraguai seja suspenso até as próximas eleições presidenciais, que devem ocorrer em abril.

Na prática, o Paraguai não participaria também da próxima reunião do Mercosul que será em dezembro no Brasil, país que assume nesta sexta a presidência temporária do bloco após o atual mandato argentino.

"O entendimento é com base no protocolo de Ushuaia. No artigo quinto existe uma primeira frase que fala na suspensão das participações nas reuniões e uma segunda que fala em direitos e obrigações. A decisão foi de nos mantermos na primeira frase, da suspensão", disse o ministro.

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As declarações de Patriota foram dadas durante um intervalo da reunião do Mercosul que contou com a participação dos ministros das Relações Exteriores do Brasil, Argentina, Uruguai e Venezuela.

O Paraguai já havia sido excluído desse encontro, como havia sido anunciado logo após os questionamentos do bloco sobre o impeachment relâmpago de Fernando Lugo da Presidência.

"Lamentamos muito essa situação (de suspensão do Paraguai). Tivemos onze chanceleres (da Unasul) no Paraguai e destacamos que havia dúvidas sobre o processo (de destituição), com a falta de defesa do presidente Lugo. Isso levou a uma constatação de que não existe uma plena vigência democrática (no Paraguai)".

Segundo ele, os ministros do Mercosul entendem que o Paraguai não respeitou o chamado protocolo de Ushuaia, assinado na década de 1990, pelos quatro países do bloco, incluindo o Paraguai, além de Chile e da Bolívia.

"O protocolo preconiza que a plena vigência democrática é uma condição essencial para o processo de integração. Então foi nesse sentido que se tomou a decisão de domingo passado (suspensão do Paraguai da reunião do Mercosul) e que se deverá se tomar a decisão amanhã (esta sexta-feira, sobre o prazo de suspensão do país)", disse.

China

Patriota afirmou também que, além da questão do Paraguai, os países do Mercosul deverão tratar da intensificação das relações com a China. Os presidentes devem aprovar declarações para fazer acordos com o país asiático.

Segundo o ministro, a questão sobre a maior aproximação com a China foi discutida entre autoridades das pastas de Relações Exteriores do Mercosul, da Bolívia, do Chile, além da Guiana, Suriname e México nesta quinta-feira.

Na última segunda-feira, o primeiro-ministro da China, Wen Jiabao, participou de reunião – por teleconferência de Buenos Aires e ao lado da presidente Cristina Kirchner, da Argentina – com a presidente Dilma Rousseff e o presidente José Mujica, do Uruguai.

"Há interesse em se retomar dialogo mais frequente e uma cooperação mais intensa (com a China)", disse Patriota.

Venezuela

A suspensão do Paraguai do Mercosul levantou especulações de que a Venezuela poderia ter acelerada sua adesão ao bloco. O país depende apenas do Senado paraguaio para ser integrante do Mercosul. Os congressos do Brasil, da Argentina e do Uruguai já aprovaram essa integração.

Mesmo antes das mudanças de governo no Paraguai, a Venezuela já participava das reuniões do Mercosul. "Há grande interesse em se promover a plena participação da Venezuela no Mercosul. Queremos trabalhar para que se efetive no mais breve prazo a sua plena participação", disse Patriota.

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