Chanceleres apoiam suspender Paraguai do Mercosul

Segundo legisladores do Parlasul, houve consenso em reunião que abriu cúpula em Mendoza; entrada da Venezuela no bloco não foi debatida

iG São Paulo | - Atualizada às

Os chanceleres do Mercosul , em reunião na Argentina nesta quinta-feira, mostraram-se favoráveis a sancionar o Paraguai com sua suspensão dos trabalhos do bloco como forma de retaliação ao impeachment de Fernando Lugo como presidente do país, afirmaram legisladores uruguaios do Parlamento do Mercosul (Parlasul).

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"Houve um nível de concordância muito grande entre os chanceleres para sancionar o Paraguai", disse o deputado governista uruguaio Carlos Varela, em Mendoza.

EFE
Reunião de chanceleres abriu cúpula do bloco Mercosul

Os ministros de Relações Exteriores da Argentina, Brasil e Uruguai abriram nesta quinta-feira em Mendoza a Cúpula do Mercosul. O quarto integrante do bloco, o Paraguai, foi suspenso do encontro por causa do processo de destituição de Lugo, substituído pelo então vice-presidente Federico Franco.

"Todos os chanceleres concordaram que no Paraguai houve uma quebra institucional e isso habilita a aplicação da cláusula democrática (que permite aplicar sanções a um país do bloco)", destacou o legislador da Frente Ampla uruguaia.

No entanto, de acordo com a fonte, os chanceleres não contemplaram em seus relatórios a possibilidade de aplicar sanções econômicas ao Paraguai.

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Segundo o deputado uruguaio Rubén Martínez Huelmo, a suspensão do Paraguai seria prolongada até as eleições de abril de 2013 previstas no país. "Nós queremos o Paraguai dentro do Mercosul, e essas são circunstâncias que nos darão tempo de refletir sobre o bloco que queremos", disse Martínez Huelmo, também membro do Parlasul.

Venezuela

Os legisladores ressaltaram também que nos relatórios dos chanceleres não houve referências ao ingresso da Venezuela como membro pleno do Mercosul.

"A entrada da Venezuela depende dos quatro países (Argentina, Brasil, Paraguai e Uruguai), e a suspensão do Paraguai não significa que ocorra uma entrada automática (da Venezuela)", disse o senador uruguaio Alberto Couriel, presente na reunião em Mendoza.

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O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores brasileiro, Tovar Nunes, havia considerado na quarta-feira "prematuro" antecipar a discussão do ingresso da Venezuela ao Mercosul na Cúpula de Mendoza.

Desde 2009, o Senado paraguaio se recusa a ratificar o ingresso da Venezuela como membro pleno do bloco, medida já adotada por Brasil, Argentina e Uruguai.

Na reunião de chanceleres desta quinta-feira, que ocorreu no Hotel Intercontinental em Guaymallén, participaram o chanceler da Venezuela, Nicolás Maduro, o brasileiro Antonio Patriota, o argentino Hector Timerman e o uruguaio Luis Almagro. Maduro é o único representante dos países associados ao bloco, que reúne também Chile, Colômbia, Peru, Bolívia e Equador.

A posição final do Mercosul em relação à crise paraguaia será conhecida após encontro de chefes de Estado dos países-membros na sexta-feira, dia em que ocorrerá também uma reunião extraordinária da União de Nações Sul-Americanas (Unasul) sobre os últimos acontecimentos no país sul-americano.

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À agência Reuters, Patriota afirmou que a decisão do Mercosul sobre o Paraguai deve ser na linha da suspensão de órgãos multilaterais.

Diplomata brasileiro

Ainda nesta quinta-feira, no início da reunião de chanceleres, o diplomata brasileiro Samuel Pinheiro Guimarães renunciou ao cargo de alto representante do Mercosul.

Fontes afirmam que Pinheiros Guimarães havia ficado sem apoio dentro da estrutura do bloco. Especula-se ainda que sua saída esteja vinculada a fortes debates internos sobre a posição do grupo em relação ao Paraguai. O diplomata havia assumido o cargo no início de 2011 para planejar políticas de fortalecimento institucional do Mercosul.

*Com EFE, BBC, Reuters

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