Paraguai é tema principal de cúpula do Mercosul

Reunião de dois dias começou nesta quinta em Mendoza com encontro de chanceleres; cúpula deve discutir punições ao Paraguai após impeachment de Lugo

iG São Paulo | - Atualizada às

A cúpula do Mercosul, que começou nesta quinta-feira na Província de Mendoza, Argentina, com uma reunião de chanceleres, deve ter como tema principal a crise política no Paraguai e o impeachment do presidente Fernando Lugo .

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Apesar de ser sócio pleno do Mercosul, a participação do país no evento foi cancelada após a destituição de Lugo, aprovada em poucas horas há quase uma semana pelo Congresso local. Em meio a expectativas sobre a imposição de possíveis sanções, o governo do Paraguai informou que o bloco liberou US$ 66,04 milhões em recursos para obras de linhas de transmissão de energia elétrica para seu país.

A reunião dos chanceleres ocorre no Hotel Intercontinental, em Guaymallén, Província de Mendoza. O chanceler da Venezuela, Nicolás Maduro, participa do encontro com o brasileiro Antonio Patriota, o argentino Hector Timerman e o uruguaio Luis Almagro. Maduro é o único representante dos países associados ao bloco, que reúne também Chile, Colômbia, Peru, Bolívia e Equador.

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Desde 2009, o Senado paraguaio se recusa a ratificar o ingresso da Venezuela como membro pleno do bloco, medida já adotada por Brasil, Argentina e Uruguai. No encontro de agora, os ministros de Relações Exteriores devem alterar o mecanismo de decisão do Mercosul, que exige a unanimidade dos votos para que qualquer deliberação entre em vigor. Como o Paraguai está suspenso, pela regra atual, todas as decisões ficariam pendentes do exame do país, no momento em que terminasse a suspensão.

A situação do Paraguai também será centro de um encontro extraordinário de chefes de Estado e de governo da União das Nações Sul-Americanas (Unasul). A reunião ocorre em Mendoza na sexta-feira, para aproveitar a presença dos líderes do Mercosul. O país palco de impeachment na semana passada está suspenso também da reunião da Unasul.

Nesta quinta-feira, o diplomata brasileiro Samuel Pinheiro Guimarães renunciou ao cargo de alto representante do Mercosul, no início da reunião dos chanceleres.

Fontes afirmam que Pinheiros Guimarães havia ficado sem apoio dentro da estrutura do bloco. Especula-se ainda que sua saída esteja vinculada a fortes debates internos sobre a posição do grupo em relação ao Paraguai. O diplomata havia assumido o cargo no início de 2011 para planejar políticas de fortalecimento institucional do Mercosul.

'Ruptura'

Na quarta-feira, em declarações à imprensa, Lugo disse que "houve uma ruptura do processo democrático paraguaio, com um julgamento político irracional, sem argumentos para se chegar a uma decisão como essa". Apesar disso, o líder cassado declarou-se contrário a que o Mercosul imponha sanções contra o Paraguai, com o argumento de que prejudicariam os paraguaios .

Ele disse também que não comparecerá a nenhuma das reuniões em Mendoza, mesmo tendo sido convidado, para "não influenciar nas decisões" dos organismos regionais. Na verdade, Lugo acabou mudando de ideia depois que o novo chanceler do Paraguai lhe alertou que poderia enfrentar repercussões legais se tentasse representar o país nos eventos.

Na quarta-feira, o ministro-chefe da Secretaria-Geral da Presidência do Brasil, Gilberto Carvalho, disse esperar que a reunião de cúpula do Mercosul estimule uma manifestação contra o impeachment relâmpago. "Esperamos que a cúpula faça uma manifestação forte e definitiva contra o que aconteceu com o Lugo e nossos irmãos paraguaios", afirmou Carvalho.

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"Não se pode aceitar o que houve no Paraguai porque vai na contramão de tudo o que temos constituído", disse durante discurso para uma multidão que erguia bandeiras do Paraguai e da Argentina no chamado "Encontro Social do Mercosul" com entidades e movimentos sociais.

Na mesma linha de defesa de Lugo e contra sua saída do palácio presidencial, o ministro das Relações Exteriores da Argentina, Hector Timerman, disse que os países do Mercosul e da Unasul "repudiam" o que houve no Paraguai.

Segundo a agência Reuters, Patriota disse que a decisão do Mercosul sobre o Paraguai, que deve ser tomada na seta-feira, será na linha da suspensão de órgãos multilaterais. 

Eles não citaram o nome do ex-vice-presidente de Lugo, Federico Franco , que assumiu a presidência do país. Timerman lembrou que ocorreram "muitos golpes" ao longo da historia da América Latina e indicou que, por essa razão, existe temor de que o que ocorreu no Paraguai possa se repetir em outro país da região.

"Estamos comprometidos com a cláusula democrática e defenderemos todos os instrumentos internacionais que assinamos. Porque se nos descuidarmos, farão o mesmo na República do Uruguai, o mesmo no Brasil e em todos os países da região, porque não toleram que lhes governem", afirmou, sem especificar quem são "eles".

De acordo com o chanceler argentino, grupos opositores pretenderiam, se pudessem, "destituir" a presidenta Cristina Kirchner. Segundo Tirmerman, não há intenção dos países da região de prejudicar os paraguaios.

Nos dois dias de encontro em Mendoza, deverão ser discutidas formas de sanção ao Paraguai. Timerman afirmou também que a reação conjunta do Mercosul é em "solidariedade" aos paraguaios e não porque se pretenda intervir na política do país vizinho. Na sexta-feira, o encontro será entre os presidentes da Unasul (que reúne todos os países da América do Sul).

*Com Ansa, BBC, Reuters e Valor

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