Eric Holder é acusado de desacato por não compartilhar documentos referentes a investigações sobre desaparecimento de armas no México

A Câmara dos Deputados dos Estados Unidos aprovou nesta quinta-feira uma resolução sem precedentes na qual mantém a acusação contra o secretário de Justiça americano , Eric Holder, de desacato. Trata-se da primeira vez que um político de alto escalão é acusado.

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A votação desta quinta-feira foi boicotada por vários democratas. A Casa de maioria republicana aprovou a resolução devido ao mal estar entre Holder e deputados sobre a divulgação de documentos relativos a uma operação contra o tráfico de armas na fronteira entre EUA e México.

Eric Holder é o primeiro político de alto escalão a sofrer a condenação pela Casa (26/6)
AP
Eric Holder é o primeiro político de alto escalão a sofrer a condenação pela Casa (26/6)

O Comitê de Supervisão e Reforma Governamental da Câmara quer acesso a gravações de um período de 10 meses, depois de fevereiro de 2011, que estão nas mãos do Departamento de Justiça. Na aquela época, o departamento negou que armas havia sido compradas no Arizona e levadas para o México, mas em dezembro daquele ano voltou atrás e reconheceu que estava errado.

Holder se negou a entregar documentos requeridos pelos legisladores.

Privilégio

A ação ocorre depois de o presidente americano, Barack Obama, ter se utilizado de privilégios executivos para emitir um decreto que impede a divulgação de documentos solicitados pelo Comitê de Supervisão da Casa.

Segundo a Operação Velozes e Furiosos, agentes americanos deixaram centenas de armamentos ilegais entrarem no México para rastrear traficantes de armas. Em dezembro de 2010, um agente da fronteira americano foi morto com uma arma envolvida no caso.

O Departamento de Justiça alega ter negado acesso aos documentos por conterem informações que poderiam afetar investigações criminais em andamento. Oficiais do departamento dizem ainda terem enviado mais de 7 mil documentos para o Comitê da Câmara.

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Foi a primeira vez que Obama lançou mão da utilização do privilégio executivo para documentos retidos na fonte. Enquanto o ex-presidente George W. Bush utilizou esse recurso seis vezes, seu antecessor Bill Clinton o fez 14 vezes ao longo dos oito anos em que esteve no poder.

Autoridades acusadas de desacato ao Congresso podem ser multadas ou mesmo presas. Historicamente, no entanto, o Congresso e a Casa Branca negociaram acordos para evitar uma batalha judicial que limite o poder do Congresso ou privilégio do Executivo.

*Com AP e BBC

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