Secretário-geral da OEA irá ao Paraguai para analisar processo contra Lugo

Missão de Organização dos Estados Americanos é enviada após reunião sem consenso para debater crise causada por impeachment de presidente na semana passada

iG São Paulo |

O secretário-geral da Organização dos Estados Americanos (OEA) , José Miguel Insulza, viajará esta semana ao Paraguai para analisar a deposição de Fernando Lugo .

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José Miguel Insulza disse em reunião extarordinária da organização na terça-feira que sua missão incluirá reuniões com autoridades do novo governo e também com Lugo, que foi submetido a um julgamento político relâmpago pelo Congresso e sofreu um impeachment na sexta-feira.

AP
Embaixador paraguaio para a OEA, Bernardino Hugo Saguier, durante reunião extraordinária para debater situação no Paraguai (26/6)

"Considero meu dever recolher todos os antecedentes para que este Conselho Permanente (da OEA) possa tomar suas decisões, e também considero meu dever conhecer a opinião do Paraguai e de outros países", disse Insulza em comunicado divulgado na noite de terça.

O chefe da OEA destacou que espera divulgar sua avaliação sobre a crise no Paraguai à organização na próxima semana.

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Insulza explicou em uma sessão especial do Conselho Permanente que o objetivo da organização durante uma crise é promover processos normais e garantir que as eleições do ano que vem no Paraguai aconteçam "adequadamente".

"No Paraguai, queremos que a OEA verifique que o (ex) presidente Lugo está em livre e total comunicação, que está participando diariamente de entrevistas, campanhas, atos políticos, com total e absoluta liberdade, e que as instituições democráticas estão funcionando", disse.

Reunião

As divisões dentro da OEA ficaram evidentes durante a reunião de terça-feira e, em determinado momento, a sessão se assemelhou a uma lavagem de roupa suja pública entre os sócios do Mercosul.

Um grupo de países, encabeçado pela Venezuela e Nicarágua, pediu uma condenação do rito sumário que levou à deposição de Lugo. O representante nicaraguenho na OEA, embaixador Moncada Colindres, defendeu que "o que cabe é condenar o golpe de Estado".

Já outro grupo, encabeçado por Honduras e México – com o apoio discreto dos Estados Unidos –, defendeu o envio de uma missão ao Paraguai para apurar os fatos e trazer suas conclusões de volta para a deliberação do organismo.

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Brasil e o Uruguai lideraram a posição de que o conselho aguardasse a reunião da União das Nações Sul-Americanas (Unasul) e do Mercosul, na cidade argentina de Mendoza, nas próximas quinta e sexta-feira.

Processo

A deposição de Lugo provocou críticas e retaliações por partes de vários países, principalmente dos governos de esquerda da América Latina. O Departamento de Estado americano, no entanto, não considerou o movimento um golpe porque seguiu os procedimento constitucionais, segundo a porta-voz Victoria Nuland.

"Os questionamentos que temos feito, como temos dito, foram que o processo pareceu ser exageradamente veloz", disse Nuland. "Acredito que vamos tirar nossas conclusões finais sobre tudo isso quando virmos como a OEA avançará", acrescentou.

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Os parlamentares paraguaios votaram em ampla maioria pela deposição de Lugo por consideraram que ele não cumpriu adequadamente suas funções ao deixar crescer um conflito social que resultou na morte de 17 pessoas em um confronto entre policiais e sem-terras em uma propriedade rural.

Lugo estava no último de seus cinco anos de mandato. Seu ex-vice-presidente e um de seus maiores críticos, Federico Franco, o substituiu como presidente.

*Com Reuters e BBC

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