Acordo entre governo e classe contempla aumento abaixo do exigido por policiais e põe fim à crise no momento em que marcha indígena chega à capital La Paz

O presidente da Bolívia, Evo Morales, conseguiu dar fim a motim policial de sete dias, após assinar um acordo para aumentar os salários de policiais do país.

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Os policiais estavam reunidos nas proximidades do Palácio de Governo e do Parlamento, onde ocorreram violentos enfrentamentos. Os ministros do Interior boliviano, Carlos Romero, e de Desenvolvimento, Teresa Morales, assinaram o convênio com representantes dos policiais após muitas horas de negociação.

Marcha de indígenas que se opõem à construção de estrada que passará por reserva entra em La Paz
EFE
Marcha de indígenas que se opõem à construção de estrada que passará por reserva entra em La Paz

Sob o acordo de quarta-feira, o governo aceita pagar o aumento de US$ 14 dólares no salário de cerca de 28 mil policiais, que atualmente recebem US$ 194 por mês. Além do aumento, o governo duplicou o benefício para alimentação.

O salário mínimo da Bolívia, um dos países mais pobres da América, é de US$ 144 dólares, e o salário médio da população não passa de US$ 546.

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Romero explicou que o acordo representou o maior aumento em 14 anos, embora tenha reconhecido que não conseguiu cumprir as "expectativas legitimas" da classe.

O acordo assinado também assegura que não haverá represálias contra os líderes dos grevistas, cria uma Defensoria da Polícia, reconhece a aposentadoria com 100% do salário e revisa uma lei disciplinar que segundo os agentes não permitia a legítima defesa.

Os termos econômicos do convênio foram aceitos com críticas por parte dos grevistas, que queriam um aumento maior. Os agentes pediam um nivelamento de seus salários com os dos militares, que ganham o dobro, mas aceitaram o acordo e argumentaram que respeitarão a decisão da maioria.

A greve se estendeu por várias cidades bolivianas e os policiais chegaram a ocupar quartéis e centros de comando. O acordo normalizou os serviços policiais após uma semana de protestos.

Marcha

Assim que o motim policial terminou, um novo movimento social desafiou o governo Morales nesta quarta-feira. Uma marcha de indígenas que se opõem à construção de uma estrada que passará por uma reserva natural da Amazônia boliviana chegou à capital La Paz, em um último percurso de12 km pelo qual protestará contra o projeto viário financiado pelo brasileiro BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social).

"Estamos chegando a La Paz com uma demanda justa", declarou Adolfo Chávez, um dos líderes da marcha, após caminhar 600 km desde a Amazônia. “Estamos demonstrando que não estamos envolvidos em um golpe.”

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Os indígenas adiaram em um dia sua chegada a La Paz para evitar que fossem envolvidos no conflito com policiais, que autoridades classificaram como um complô contra o presidente Evo Morales.

Os indígenas da Amazônia boliviana se opõem à construção de uma estrada que atravessaria a reserva Território Indígena Parque Nacional Isiboro Sécure (Tipnis que, segundo eles, dividiria o território, além de prejudicar o meio ambiente. A obra havia recebido um crédito de US$ 332 milhões do BNDES.

*Com EFE e AFP

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