Paraguai deve ser suspenso do Mercosul e da Unasul, diz fonte

Segundo fonte do alto escalão do governo brasileiro, objetivo é represália garantir que processo semelhante não ocorra em países vizinhos da região

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O Paraguai deve ser suspenso do Mercosul e da União de Nações Sul-Americanas (Unasul) após o impeachment do então presidente do país, Fernando Lugo , disse uma fonte de alto escalão do governo brasileiro à Reuters neste domingo.

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Segundo essa fonte, que falou sob condição de anonimato, o governo brasileiro têm mantido contato com autoridades de outros países da região e acredita-se que existe um consenso para a suspensão do Paraguai na semana que vem, para quando está marcada uma reunião de cúpula do Mercosul em Mendoza, na Argentina.

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Fernando Lugo compareceu à manifestação contrária à sua saída

"O ponto é transformar esse novo governo (paraguaio) em um pária", disse a fonte à Reuters.

Na sexta-feira o Senado do Paraguai decidiu por ampla maioria aprovar o impeachment de Lugo , sob acusação de não ter cumprido suas funções adequadamente no episódio em que 17 sem-terras foram mortos num confronto com a polícia.

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No mesmo dia o então vice-presidente, Federico Franco, jurou como novo chefe de Estado. Em nota divulgada na noite de sábado, o Itamaraty condenou o que chamou de "ruptura da ordem democrática" no país vizinho e avaliou que Lugo não teve garantido amplo direito de defesa, já que o processo de julgamento político havia sido aberto na quinta-feira.

Segundo a fonte do governo brasileiro, o embaixador do país em Assunção , chamado de volta para consultas, não deve retornar ao Paraguai. Essa autoridade disse ainda que o Brasil não pretende romper completamente suas relações com o Paraguai por conta de interesses brasileiros no país, como a usina hidrelétrica binacional de Itaipu.

A fonte disse ainda que o governo brasileiro não manterá contatos com Franco e manterá sua tradição de atuar no caso por meio de organismos multilaterais. Essa estratégia, segundo a autoridade, tem o objetivo abrir um precedente que deixe claro a gravidade das consequências de fatos como o ocorrido no Paraguai.

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Especificamente, a meta é garantir que nada parecido aconteça em outros paises, como Bolívia e o Peru. "Essa é uma reação institucional que mostrará aos outros as consequências negativas de uma medida agressiva como essa", completou a fonte.

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