Novo presidente do Paraguai tem desafio de buscar alianças

Federico Franco terá de driblar isolamento regional e conquistar apoio de movimentos sociais e outras legendas partidárias dentro de casa

iG São Paulo | - Atualizada às

Após um processo de impeachment relâmpago que derrubou  Fernando Lugo , o então vice-presidente Federico Franco assumiu a presidência paraguaia em meio a duras críticas de aliados regionais sobre a condução do processo contra o mandatário.

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Condenado pela Unasul (União de Nações Sul-Americanas) , o impeachment de Lugo expôs a crise do Paraguai com reflexos na região . Enquanto Equador, Argentina, Bolívia e Venezuela afirmaram que não reconhecem o governo de Franco. Segundo o jornal paraguaio ABC Color, o México declarou que Lugo não teve espaço para se defender, enquanto El Salvador disse que a destituição de Lugo fere da Carta Democrática da Organização dos Estados Americanos (OEA) e o Peru a chamou de revés democrático.

EFE
Federico Franco (C) tomou posse como novo presidente paraguaio na noite de sexta-feira (22/6)

Assim como o Chile, a Colômbia lamentou a retirada de Lugo no poder. Os Estados Unidos pediram calma aos paraguaios. Já o presidente da Venezuela, Hugo Chávez, disse que a destituição de Lugo foi um golpe contra a população paraguaia, a Unasul e ameaçou o novo governo com sanções parte dos países da Unasul. "Isso não termina aí", afirmou.

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Aos 49 anos, o novo presidente do Paraguai é definido como um político "conservador" e "ambicioso". Segundo analistas ouvidos pela BBC Brasil, ele deverá buscar alianças políticas para governar.

Franco deverá governar o país durante os próximos 14 meses, até agosto do ano que vem, quando está previsto que passe a faixa presidencial para o presidente eleito em abril de 2013. Médico, ex-vereador e ex-governador, Franco é de uma família de políticos do tradicional Partido Liberal Radical Autentico (PLRA), que também é opositor histórico do Partido Colorado.

Segundo analistas, para governar ele deverá buscar alianças com outras legendas, como a UNACE, uma dissidência dos colorados criada pelo ex-general e agora político Lino Oviedo.

De acordo com o analista político e ex-assessor de Lugo, Roberto Paredes, Franco sempre demonstrou "desejar a Presidência" e "jamais escondeu" diferenças com Lugo. "Mas Lugo também errou muito porque não aceitava pensar em alianças políticas ou em atender até mesmo à sua base política, incluindo o partido de seu então vice", afirmou.

Lugo e Franco não esconderam as diferenças durante os quatro anos que governaram o país a partir da chamada Aliança Patriótica para a Mudança (APC), que reunia o conservador PLRA e movimentos sociais que apoiavam o agora ex-presidente.

Durante o mandato exercido por Lugo, Franco liderou um protesto contra o governo e criticou Lugo pela paternidade ocorrida nos tempos em que era bispo da igreja católica. "Uma pessoa deve ser íntegra tanto na vida privada quanto na vida pública", disse, na ocasião.

Na opinião da analista política Milda Rivarola, Franco é um político tradicional que não conta com apoio unânime do seu partido e não teria apoio popular. "Franco é de uma família de políticos do PLRA, mas já não figurava como líder do seu partido porque ficou em terceiro lugar em uma recente votação interna do partido", disse Rivarola.

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Para ela, o país vive "momentos de incertezas" porque registrou expansão econômica recorde nos últimos anos, mas enfrenta problemas como a questão da terra e a violência no campo.

O médico de Lugo e analista político Alfredo Boccia afirmou que Franco não teria ainda apoio dos movimentos sociais.

Protestos cessam

Diferentemente da  confusão e revolta que tomou a Praça de Armas, em frente ao Congresso paraguaio, na sexta-feira, horas depois da queda de Lugo, o clima era de derrota. Nas primeiras horas deste sábado, as principais praças da cidade estavam completamente calmas, em um cenário muito diferente dos palcos que abrigavam 5 mil manifestantes protestando contra a destituição de Lugo.

O que foi um cenário de repressão a manifestantes , com jatos d’água e gás lacrimogêneo, neste sábado se encontra com um número reduzido de partidários do ex-presidente.

Segundo o ABC Color, depois da sentença política contra o ex-mandatário e a posse de Franco, os manifestantes foram pouco a pouco abandonando os palcos de protestos e devolvendo à capital um ritmo de maior calma.

*Com BBC

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