Fracassam esforços da Unasul para impedir processo contra Lugo

Liderados por chanceler do Brasil, missão diplomática se reuniu com um senador que rejeitou pedido para suspender julgamento; Lugo não compareceu a Congresso

iG São Paulo | - Atualizada às

Os chanceleres da  União de Nações Sul-Americanas (Unasul) , liderados pelo brasileiro Antonio Patriota, tentaram um acordo para evitar que o presidente do Paraguai, Fernando Lugo , fosse destituído em um julgamento político que começou nesta sexta-feira no Congresso em Assunção. Seus esforços, no entanto, foram frustrados.

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AP
Partidários do presidente do Paraguai, Fernando Lugo, são visto do lado de fora do Congresso na Praça de Armas, em Assunção


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Lugo não compareceu ao Congresso para exercer sua defesa, que ficou a cargo somente de seus advogados. O líder paraguaio acompanha o processo do Palácio do Governo, juntamente com os 12 chanceleres da Unasul.

A delegação é integrada por Patriota e pelos chanceleres Héctor Timerman (Argentina), Luis Almagro (Uruguai), Alfredo Moreno (Chile), Nicolás Maduro (Venezuela), Rafael Roncagliolo (Peru), Ricardo Patiño (Equador) e María Angela Olguín (Colômbia), pela ministra de Desenvolvimento Rural da Bolívia, Nemesia Achacollo, e pelo secretário-geral da Unasul, Ali Rodríguez.

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Segundo fontes citadas pelo jornal ABC Color, os membros da Unasul consultaram um senador para saber se era possível alcançar um acordo com os atores políticos que impulsionaram o impeachment, mas a resposta foi negativa porque os integrantes da Associação Nacional Republicana e o Partido Liberal Radical Autêntico (maioria no Senado, onde ocorrerá o julgamento) não mudaram de ideia.

Desde sua chegada, os chanceleres mantiveram reuniões com várias autoridades. Na noite de quinta, encontraram-se com Lugo, que foi acusado "de mau desempenho de suas funções em razão de ter exercido o cargo de maneira imprópria, negligente e irresponsável, trazendo o caos e a instabilidade política a toda a República".

O presidente do Equador, Rafael Correa, disse que a Unasul pode não reconhecer um eventual novo governo no Paraguai, caso Lugo seja destituído do cargo. "O que aconteceria se, mais para frente, um presidente da região não tem maioria no Congresso de seu país e tenta-se julgá-lo?", questionou Correa.

O líder equatoriano contou que conversou ao telefone com Lugo e disse estar "muito triste" com esse episódio.

Estopim

O estopim para a abertura do processo de impeachment pela Câmara dos Deputados foi a morte de 11 trabalhadores sem-terra e de 6 policiais em um confronto armado há uma semana em Curuguaty, 250 km a nordeste de Assunção, durante a desocupação de uma fazenda.

Poucas horas depois do anúncio da Câmara, o Senado, também de maioria opositora, anunciou que Lugo tem apenas duas horas para sua defesa nesta sexta-feira, com a previsão de que a sentença será emitida cerca de 17h30 de Brasília.

Diante desse processo de impeachment sumário, o porta-voz para América Latina do Departamento de Estado dos EUA, William Ostick, advertiu que Washington acompanha de perto a crise no Paraguai e sua embaixada em Assunção "observa a situação muito atentamente".

"Com base nos compromissos com a democracia no continente, é importante que as instituições do governo sirvam aos interesses do povo paraguaio e, para tal, é criticamente importante que
essas instituições ajam de maneira transparente, observando escrupulosamente os princípios do devido processo e dos direitos do acusado".

Segundo Ostick, os EUA mantêm contato com os chanceleres da Unasul em Assunção sobre "o respeito e a manutenção da democracia e das instituições democráticas no Paraguai".

Diante do risco de conflito, os bispos católicos do Paraguai pediram ao presidente Lugo que renuncie ao cargo "pelo bem do país" e evite atos de violência.

"Falamos com muita sinceridade e franqueza para pedir que ele renuncie ao cargo e acabe com essa tensão", disse o bispo Claudio Giménez, secretário-geral da Conferência Episcopal
Paraguaia (CEP), após se encontrar com Lugo, um ex-bispo católico.

A tensão é crescente em Assunção, onde vários manifestantes estão na praça localizada diante da sede do Congresso para expressar sua rejeição ao julgamento político contra Lugo.

Os manifestantes pró-governo tomaram o local após a saída de partidários do impeachment do presidente, enquanto as forças policiais assumiam posições estratégicas em torno do Congresso, incluindo atiradores de elite.

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"Estamos aqui para protestar contra esse julgamento do nosso presidente, um representante genuíno do povo", gritava Manuel Martinez, um manifestante que se dizia ser um dos coordenadores da manifestação.

Mais cedo, os manifestantes "anti-Lugo" expressaram seu apoio aos deputados e senadores paraguaios pela abertura do processo político. Ao menos 4 mil agentes foram mobilizados para proteger a região do Congresso, disse o porta-voz da Polícia Nacional, comissário Sebastián Talavera. "Foram tomadas todas as medidas de precaução" para evitar incidentes, disse.

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