Para o presidente do Senado brasileiro, a ação ocorre de forma muito rápida, o que compromete o direito de ampla defesa do líder paraguaio

Agência Brasil

O presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), criticou nesta sexta-feira (22) a forma como o processo de impeachment do presidente Fernando Lugo tem sido tocado no Paraguai. Sarney disse que ação está sendo muito rápida, o que pode acabar comprometendo o direito democrático da ampla defesa do presidente paraguaio.

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"Pela celeridade com que esse processo está marchando, realmente não se assegura o amplo direito de defesa, como deve ter aqueles que passam por um processo dessa natureza. Nós tivemos (impeachment) no Brasil, mas seguimos todo o rito que a lei determinava, e demorou bastante tempo para que ele fosse concluído", afirmou o presidente do Senado. 

Para o presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), impeachment de Lugo no Paraguai vem sendo mal conduzido
Adriano Lima/Brazil Photo Press/AE
Para o presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), impeachment de Lugo no Paraguai vem sendo mal conduzido

Sarney lembrou que o motivo de o Paraguai ter demorado a entrar no Mercosul foi justamente a falta de democracia, à época, naquele país. Por isso, destacou a necessidade de os princípios democráticos serem respeitados em todos os países que compõem o bloco. "Eu acho que são péssimas para a América do Sul certas práticas que não são muito democráticas ou não são comuns em uma democracia, e que (se) exacerbam a ponto de derrubar um presidente. Evidentemente, isso mostra que tem alguma coisa errada na democracia (paraguaia)."

"O Brasil deve defender os princípios que ele tem e que foram colocados quando, com a Argentina, estabelecemos o Mercosul. Depois, esses princípios foram repetidos na Unasul (União das Nações Sul-Americanas). Tanto é verdade que, quando fundamos o Mercosul, não admitimos o Paraguai porque havia um regime não democrático, presidido pelo general Stroessner", ressaltou Sarney.

Parlamentares paraguaios acusam o presidente Fernando Lugo de estimular conflitos entre ricos e pobres e invasões de propriedades particulares no país. Eles alegam que, ao apoiar as causas dos camponeses, o governo Lugo traz instabilidade, caos social e ameaça à paz interna. O impeachment de Lugo deve ser votado ainda nesta sexta-feira pelo Senado paraguaio.

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