Partidários de presidente do Paraguai prometem protestos se ele for destituído

Milhares estão reunidos na Praça das Armas, em frente ao Congresso, esperando o resultado do julgamento pelo processo de impeachment de Lugo

iG São Paulo | - Atualizada às

Movimentos sociais e aliados do presidente do Paraguai, Fernando Lugo , mobilizaram-se nesta sexta-feira e prometeram tomar as ruas de Assunção para protestar caso ele seja afastado em um julgamento político no Senado . Milhares estão reunidos na Praça das Armas, em frente ao Congresso em Assunção, para mostrar seu apoio ao líder.

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Processo: Senado do Paraguai realiza julgamento político para impeachment de Lugo

AFP
Manifestantes se reúnem para defender Fernando Lugo, no dia de julgamento político de presidente no Senado em Assunção (22/06)

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Eles seguravam bandeiras e gritavam palavras de ordem como "O povo, unido, jamais será vencido". "Estamos aqui para protestar contra esse julgamento do nosso presidente, um representante genuíno do povo", gritava Manuel Martinez.

A tensão é crescente em Assunção. A polícia separou os grupos entre manifestantes favoráveis e contrários a Lugo, enquanto forças de segurança assumiram posições estratégicas em torno do Congresso, incluindo atiradores de elite. Ao menos 4 mil agentes foram mobilizados para proteger a região do Congresso, disse o porta-voz da Polícia Nacional, comissário Sebastián Talavera. "Foram tomadas todas as medidas de precaução" para evitar incidentes, disse.

Nesta sexta-feira, mais 70 ônibus com aliados de Lugo estavam previstos para chegar a Assunção vindos de diversas partes do país, segundo o governador da Província de São Pedro, José "Pakova" Ledesma. Na quinta-feira à tarde, diversos comércios fecharam as portas no centro de Assunção por medo de confrontos. Havia expectativa de que muitos não abririam nesta sexta.

O destino de Lugo deve ser decidido ainda nesta sexta-feira. Lugo tentou sem sucesso evitar o processo apresentando um recurso à Justiça, enquanto 12 chanceleres da missão da Unasul (União de Nações Sul-Americanas), enviados ao país na véspera,  fracassaram em seus esforços para impedir o julgamento. No fim da tarde, a Unasul emitiu um comunicado advertindo que a destituição representará uma quebra da cláusula democrática da organização.

Lugo não compareceu ao Senado, decidindo ficar no Palácio de Governo, onde acompanhou o processo juntamente com os chanceles da Unasul. Ele é acusado de ter responsabilidade em um conflito entre policiais e camponeses que deixou 17 mortos há uma semana, no Departamento de Canindeyú.

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Depois da apresentação da defesa de Lugo, houve outras duas sessões de uma hora cada: a primeira para a apresentação de provas contra o presidente e a segunda para as considerações finais da acusação e da defesa. A decisão sobre a destituição será tomada em votação no Senado.

O Paraguai mergulhou em uma crise política na quinta-feira, quando 76 dos 80 parlamentares da Câmara dos Deputados votaram a favor da abertura de um processo de impeachment contra Lugo. Na ocasião, apenas um deputado apoiou o presidente e três se abstiveram da votação.

A Constituição paraguaia estabelece que o presidente e outras autoridades podem ser processados por "mau desempenho de suas funções, por delitos cometidos no exercício de seus cargos ou por delitos comuns".

Lugo é acusado de responsabilidade nos confrontos em Canindeyú. Aliados do líder paraguaio, porém, dizem que a rapidez com a qual o processo de impeachment está tramitando no Legislativo o configuraria como um "golpe branco".

Para aprovar o impeachment, a oposição paraguaia precisa dos votos de 30 dos 45 senadores, mas como apenas 3 membros da Casa apoiam Lugo, isso não seria um problema para eles. Dentro e fora do Paraguai, porém, já há movimentações em favor do presidente paraguaio.

Lugo foi eleito em 2008 com 41% dos votos, mas não há clareza sobre os seus índices de aprovação atualmente. Segundo o instituto de pesquisas paraguaio Enrique Taka Chase, sua popularidade teria caído de 58% para 38% desde então. Uma pesquisa do Centro de Estudios y Educación Popular Germinal, porém, ainda lhe dava 58% de aprovação em janeiro.

*Com BBC Brasil e AP

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