Milhares protestam contra destituição de Lugo da presidência do Paraguai

Partidários de presidente deposto contestam decisão de parlamentares sobre julgamento de impeachment

iG São Paulo | - Atualizada às

Com a destituição de Fernando Lugo da presidência do Paraguai, a Praça de Armas, em frente ao Congresso em Assunção, se tornou palco de enfrentamentos entre os partidários de Lugo e membros da cavalaria da tropa de choque.

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Após um tumulto inicial, a polícia conseguiu dispersar os manifestantes com gás lacrimogêneo. Os manifestantes, no entanto, voltaram à praça para continuar protestando contra a queda de Lugo . Aliados de Lugo estão em vigília desde a noite de quinta-feira na Praça de Armas.

Na sede do Partido Liberal, partidários da legenda celebravam a saída de Lugo e a chegada ao poder do vice-presidente Federico Franco (liberal).

Em pronunciamento, Lugo afirmou que acata a decisão tomada pelo Senado apesar de caracterizar o processo como "retorcido".

"Hoje não é Fernando Lugo que recebe um golpe, é a história paraguaia, sua democracia, que foi ferida, em que foram transgredidos todos os métodos democráticos. Espero que todos estão cientes de seus feitos", disse em pronunciamento.

Apesar disso, Lugo afirmou que "ainda que a lei tenha sido retorcida, me submeto à decisão do Congresso, porque sempre respeitei a lei", disse. "Saio pela porta maior, a do coração", disse. O ex-líder também pediu que não sejam negados aos cidadãos o direito de manifestar suas opiniões e que todas as manifestações sejam feitas de forma pacífica. Que os sangues dos justos nunca sejam derramados mais por interesses mesquinhos.

Contra julgamento

Mais cedo, partidários de Lugo seguravam bandeiras e gritavam palavras de ordem como "O povo, unido, jamais será vencido". "Estamos aqui para protestar contra esse julgamento do nosso presidente, um representante genuíno do povo", gritava Manuel Martinez.

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Diante da tensão crescente na capital paraguaia, a polícia separou os grupos entre manifestantes favoráveis e contrários a Lugo, enquanto forças de segurança assumiram posições estratégicas em torno do Congresso, incluindo atiradores de elite.

Ao menos 4 mil agentes foram mobilizados para proteger a região do Congresso, disse o porta-voz da Polícia Nacional, comissário Sebastián Talavera. "Foram tomadas todas as medidas de precaução" para evitar incidentes, disse.

Nesta sexta-feira, mais 70 ônibus com aliados de Lugo estavam previstos para chegar a Assunção vindos de diversas partes do país, segundo o governador da Província de São Pedro, José "Pakova" Ledesma. Na quinta-feira à tarde, diversos comércios fecharam as portas no centro de Assunção por medo de confrontos.

Na quinta-feira, os paraguaios temiam que a divulgação da sentença contra Lugo desate protestos de rua como os que se seguiram ao assassinato do vice-presidente Luis Maria Argana, em 1999. Confrontos com as forças do governo deixaram 17 mortos entre manifestantes que pediam o julgamento do presidente Raúl Cubas Grau pela morte de Argana. Cubas acabou por renunciar após a violência

"Não escaparemos da turbulência, está vindo", disse o analista político paraguaio Galeano Perrone, especialista em questões de defesa nacional. "Se você me perguntasse, te aconselharia a ir ao supermercado e comprar pilhas, tudo o que puder."

Eleição

Lugo foi eleito em 2008 com 41% dos votos, mas não há clareza sobre os seus índices de aprovação atualmente. Segundo o instituto de pesquisas paraguaio Enrique Taka Chase, sua popularidade teria caído de 58% para 38% desde então. Uma pesquisa do Centro de Estudios y Educación Popular Germinal, porém, ainda lhe dava 58% de aprovação em janeiro.

*Com agências internacionais

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