'Cúpula feminina' pede fim da violência e discriminação contra a mulher

Evento paralelo à Rio+20 reuniu chefes mulheres de Estado e a presidenta Dilma

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Uma inédita cúpula de mulheres chefes de Estado e de governo realizada na quinta-feira (21) no marco da Rio+20 instou o mundo a pôr fim à violência contra a mulher e aceitar que "metade da humanidade não pode continuar marginalizada".

A cúpula foi convocada pela ONU Mulheres, dirigida pela ex-presidente chilena Michelle Bachelet, que alertou não apenas para a violência das qual são vítimas as mulheres, mas também do impacto que a miséria tem sobre elas. "

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Uma mulher ou uma menina morre a cada dois minutos no mundo por causa da violência ou da fome", afirmou a diretora-executiva da ONU Mulheres, sustentando que já "acabou" o tempo de promessas sobre a igualdade de gênero e chegou a hora de "passar à ação".

Segundo Bachelet, as mulheres são as "piores vítimas" das guerras, os principais alvos do tráfico de pessoas e, ainda em muitos países, sofrem "muitos outros tipos de violência", entre os quais mencionou o "casamento forçado" e uma absoluta falta de acesso a todo tipo de método anticoncepcional.

"As mulheres não querem menos. Queremos muito mais. Não queremos retroceder e não queremos seguir como estamos. Queremos avançar", declarou Bachelet aclamada por 700 mulheres reunidas em um dos principais auditórios do Riocentro.

Além da presidente Dilma Rousseff, esta primeira cúpula feminina reuniu as chefes de Estado de Costa Rica, Laura Chinchilla, e Lituânia, Dalia Grybauskaité, assim como as primeiras-ministras de Jamaica, Portia Simpson-Miller, Austrália, Julia Gillard, e Dinamarca, Helle Thorning-Schmidt. Também participaram as ex-presidentes de Irlanda, Mary Robinson, e Finlândia, Tarja Halonen, e das ex-primeiras-ministras Micheline Calmy-Rey, da Suíça, e Helen Clark, da Nova Zelândia, entre mais de centena de políticas de 90 países.

Dilma se pronunciou na mesma linha que Bachelet e pediu o fim de "toda forma de violência e discriminação que as mulheres são vítimas", mas não somente "nos tempos de guerra", mas, sobretudo, em "tempos de paz".

A presidenta ressaltou ainda que "a luta" pelos direitos das mulheres deve incluir também o "combate a todas as formas de desigualdade e preconceitos", sejam relativos a etnias, religiões ou sexualidade. "São lutas antigas, mas ainda necessárias", disse Dilma, que também se mostrou a favor que os Estados garantam às mulheres o "pleno exercício de seus direitos sexuais e reprodutivos", assim como o "direito ao planejamento familiar".

Laura Chinchila considerou esta inédita cúpula como "a mais oportuna" para que "a liderança feminina reformule os esquemas de sempre", que "até agora estiveram sob a perspectiva de visões patriarcais". Explicou que as costarriquenhas têm uma forte participação na política de seu país, com uma representação de 40% no Parlamento e de 30% no Poder Judiciário, mas afirmou que isso não é suficiente e "ainda é pouco".

Também advogou por uma maior presença das mulheres no debate global sobre o desenvolvimento sustentável, que é o assunto central da Rio+20, e sustentou que "as mulheres levam a vocação para a paz e o amor em suas entranhas". Segundo Chinchila, esta primeira cúpula demonstrou que "nunca antes a mulher esteve mais preparada para exercer a liderança, e nunca antes o mundo esteve mais necessitado dos valores da liderança feminina".

Já a jamaicana Simpson-Miller pôs o dedo na ferida da miséria em que vivem milhões de mulheres na América Latina e no Caribe, sobre as quais disse que "muitas não têm outra opção que lavar a roupa de toda sua família em um rio", tal como fizeram "suas avós e provavelmente farão suas filhas e talvez suas netas".

Este primeiro encontro de chefes mulheres de Estado e de governo terminou com a assinatura de um documento que expressa que "a igualdade de gênero é fundamental para um futuro sustentável", que "não poderá existir sem políticas e compromissos firmes para eliminar as barreiras discriminatórias contra as mulheres".

A presidente da Argentina, Cristina Kirchner, pretendia comparecer à Cúpula das Mulheres, mas nesta quarta-feira precisou retornar inesperadamente a Buenos Aires por causa de uma greve de caminhoneiros com graves consequências para a indústria e a população pela falta de combustíveis.

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