Pressionado, Lugo diz que não renunciará à presidência do Paraguai

Deputados da Câmara paraguaia aprovaram procedimento de impeachment contra presidente por papel em violenta reintegração de posse terra

iG São Paulo | - Atualizada às

O presidente do Paraguai, Fernando Lugo, disse nesta quinta-feira que não renunciará ao cargo e confirmou que se defenderá no processo político que a Câmara dos Deputados abriu contra ele.

Crise: Câmara do Paraguai aprova procedimento de impeachment contra presidente 

"Este presidente anuncia que não apresentará renúncia ao seu cargo e que se submete com absoluta obediência à Constituição e às leis ao enfrentar o juízio político com todas as suas consequências", disse Lugo em pronunciamento à nação no palácio de governo. "Não existe nenhuma causa válida, nem política, nem jurídica, que me faça renunciar a esse juramento", acrescentou.

AP
Em discurso no palácio presidencial em Assunção, Lugo se negou a deixar o poder

"Não renunciarei ao cargo para o qual fui eleito pelo voto popular. Não interromperei um processo democrático e me submeterei ao processo político, como mandam as leis paraguaias, com todas as suas consequências, como indica a Constituição paraguaia", acrescentou o presidente.

A Câmara dos Deputados aprovou por ampla maioria o início de um processo de impeachment contra Lugo para determinar sua responsabilidade em uma reintegração de terra violenta, cujo confronto entre a polícia e camponeses deixou 17 mortos na semana passada.

O julgamento foi promovido pelo conservador Partido Colorado, de oposição, após o massacre de 11 sem-terra e seis policiais durante uma ação de desapropriação em uma fazenda privada em Curugutay, a350 quilômetrosde Assunção.

Reintegração: Lugo suspende viagem à Rio+20 por conflito de terra no Paraguai

Lugo também é acusado de suposta conivência com os membros do grupo armado ilegal Exército do Povo Paraguaio (EPP) e com líderes considerados violentos do movimento sem-terra. Pela primeira vez, há a possibilidade do chefe de Estado do Paraguai ser afastado de seu cargo por causa do julgamento político no Congresso.

Unasul

A União das Nações Sul-americanas (Unasul) decidiu enviar uma missão de chanceleres para acompanhar o processo de impeachment.

A decisão foi tomada durante uma reunião de emergência da Unasul realizada paralelamente à Conferência das Nações Unidas para o Desenvolvimento Sustentável, a Rio+20 , para discutir a situação depois que a Câmara de Deputados paraguaia aprovou o início do processo contra Lugo.

O assessor especial da Presidência da República para Assuntos Internacionais, Marco Aurélio Garcia, afirmou que o anúncio da missão da Unasul ajudará na situação paraguaia. Segundo ele, apesar de o processo de impeachment fazer parte da Constituição do país, uma análise da legislação paraguai mostrou que a ordem legal do país prevê um processo mais longo para esse procedimento.

*Com Reuters e BBC

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