Presidente Lugo suspende viagem à Rio+20 por conflito de terra no Paraguai

Choques entre policiais e sem-terra deixaram 17 mortos na sexta-feira e causaram a destituição do ministro do Interior e de comandante policial

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O presidente do Paraguai, Fernando Lugo, suspendeu nesta terça-feira sua viagem ao Rio de Janeiro para participar da Rio+20 por causa da situação causada no país por um conflito armado entre policiais e sem-terra que deixou 17 mortos na sexta-feira em uma região perto da fronteira do Brasil. No lugar de Lugo viajará ao Rio o chanceler paraguaio, Jorge Lara Castro.

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Trabalhador agrícola ferido em disputa de terra é levado para hospital em Curuguaty, Paraguai (15/06)

Choques: Disputa de terras perto da fronteira com Brasil causa violência no Paraguai

"O motivo é a situação recente que viveu o país e pareceu prudente ao presidente liquidar todos os trâmites relativos a esses fatos", disse um porta-voz da presidência paraguaia justificando a decisão. Ele se referia ao confronto a tiros que aconteceu em uma fazenda do Departamento (Estado) de Canindeyú, na fronteira com o Paraná, durante uma reintegração de posse.

Pelo menos seis policiais e 11 trabalhadores sem-terra morreram no confronto registrado durante a operação de despejo da fazenda do conhecido político e empresário Blas N. Riquelme, em um fato sem precedentes no país.

Por causa do incidente, foram cassados o ministro do Interior Carlos Filizzola e o comandante da polícia Paulino Rojas, que foram substituídos no sábado por Rubén Candia Amarilla e Arnaldo Sanabria, respectivamente.

Além disso, 12 trabalhadores rurais  foram detidos e acusados por vários crimes, entre eles homicídio doloso, tentativa de homicídio, lesão grave, associação criminosa, coerção e coerção grave. Essas acusações também pesam sobre outros 46 lavradores que foram sentenciados à revelia e são procurados pelas autoridades.

Acusação: Justiça paraguaia decreta prisão de 12 sem-terras após conflito

Paralelamente, os dirigentes dos sem-terras denunciaram abusos e perseguição por parte da polícia e exigiram indenizações para os familiares das vítimas. As ocupações e desalojamentos de terra são constantes no Paraguai, onde grupos de sem-terra acusam o Estado de ter cedido ilegalmente grandes extensões de terrenos a latifundiários e produtores agrícolas, principalmente durante a ditadura de Alfredo Stroessner (1954-1989).

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