Ícone da democracia de Mianmar recebe doutorado honorário em visita a Oxford

Prisão domiciliar havia impedido que líder da oposição birmanesa recebesse em 1993 distinção concedida por universidade britânica

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A líder opositora birmanesa Aung San Suu Kyi recebeu nesta quarta-feira um doutorado honorário que lhe havia sido concedido em 1993 pela Universidade de Oxford, mas que ela nunca pôde receber por causa da prisão domiciliar imposta pelas autoridades de Mianmar.

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Líder da oposição de Mianmar, Aung San Suu Kyi, posa durante cerimônia da Universidade de Oxford, Inglaterra

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A visita da ativista a Oxford foi marcante porque Suu Kyi estudou Filosofia, Políticas e Economia (PPE, na sigla em inglês) nessa universidade entre 1964 e 1967, além de ter morado até 1988 nessa cidade inglesa.

Em um emotivo ato celebrado na manhã desta quarta-feira pela prestigiada instituição, o professor Richard Jenkyns lembrou que, apesar do retorno de Suu Kyi a Oxford representar "um evento público", não se pode esquecer que a agora parlamentar também volta ao seu antigo lar, "uma cidade cheia de lembranças".

Ao usar o latim para conceder o doutorado honorário em direito civil, Jenkyns afirmou que a presença da ativista, que não pisava em solo britânico desde 1988, "fala de maneira mais eloquente do que qualquer idioma".

"Aqui estudou e forjou amizade, conheceu as maravilhas da juventude, aqui, como mulher e mãe, viveu uma tranquila vida doméstica, até que o amor ao seu país e a paixão pela causa da liberdade lhe fizeram voltar", disse Jenkins.

O professor também lembrou como Suu Kyi "se viu obrigada a deixar para trás seu marido e filhos, sendo que seu retorno à sua terra natal se transformou em uma espécie de exílio". "Durante muitos anos sentiu o peso do isolamento, demonstrando paciência e resistência até um grau que não é imaginável facilmente", acrescentou.

Suu Kyi, que completou 67 anos na terça-feira, teve de retornar a seu país em 1988 para cuidar de sua mãe e não pôde sair mais porque a junta militar a manteve durante muitos anos sob prisão domiciliar.

Em Oxford, Suu Kyi se casou em 1972 com o britânico Michael Aris, que morreu de câncer em 1999. Na ocasião, a ativista foi impedida de acompanhar o velório de seu marido no Reino Unido. Anteriormente, após tomar conhecimento da doença de seu marido, os militares birmaneses autorizaram a viagem, mas ela preferiu não ir com medo de não conseguir retornar a Mianmar.

Em relação à visita de Suu Kyi, o ministro britânico das Relações Exteriores, William Hague, qualificou a ativista perante a Câmara dos Comuns como "uma figura absolutamente inspiradora" e alertou que "ainda falta um longo caminho para se percorrer, não só em Mianmar", mas em matéria de direitos humanos no mundo.

Durante sua passagem pelo Reino Unido, a ativista deverá se reunir com o príncipe Charles, com o primeiro-ministro, David Cameron, e também com o chanceler Hague antes de pronunciar um histórico discurso perante as duas câmaras do Parlamento britânico.

Suu Kyi, que terminará sua visita oficial na sexta-feira, deverá permanecer mais uns dias em território britânico de forma privada.

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