Em nova negociação nuclear com potências, Irã pede alívio de sanções

Em Moscou, República Islâmica pede que punições que atrapalham suas vendas de petróleo sejam amenizadas antes de que suspenda seu enriquecimento de urânio

iG São Paulo | - Atualizada às

O Irã tornou-se mais enfático nesta segunda-feira sobre a necessidade de que o mundo remova as sanções que atrapalham suas vendas de petróleo antes de que pare atividades que a comunidade internacional acredita que podem levar à fabricação de armas nucleares , disseram diplomatas. A exigência diminuiu as esperanças de que as negociações de dois dias em Moscou ponham um fim às diferenças entre os dois lados.

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Chefe de política externa da UE, Catherine Ashton (E), e negociador-chefe do Irã, Saeed Jalili (D), reúnem-se em Moscou

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Os diplomatas disseram que a República Islâmica pediu que as seis potências (EUA, França, Rússia, China, Reino Unido e Alemanha) com quem se encontra em Moscou discutam um "amplo alívio das sanções" paralelamente a qualquer consideração do pedido de que Teerã pare o enriquecimento de urânio em um nível pouco abaixo do necessário para armar mísseis nucleares.

O encontro desta semana ocorre após o fracasso de uma rodada de negociações em maio em Bagdá. Governos ocidentais temem que o Irã esteja desenvolvendo armas atômicas, o que Teerã nega, insistindo no caráter pacífico das suas atividades nucleares. Israel, que vê o Irã como uma ameaça à sua existência, ameaça bombardear instalações atômicas iranianas , o que poderia ter graves consequências para o mercado mundial de petróleo e para a economia global.

Anteriormente, o presidente do Irã, Mahmoud Ahmadinejad, disse que Teerã estaria disposto a interromper o enriquecimento de urânio até um grau mais elevado de pureza caso as seis potências aceitassem suprir a necessidade de combustível nuclear da República Islâmica. Mas não ficou clara quanta influência Ahmadinejad poderá ter nas negociações ou se sua declaração reflete a posição de Teerã no diálogo.

Especialistas e diplomatas acham improvável que alguma solução saia das reuniões de Moscou, onde as potências mundiais estão receosas em fazer concessões que permitam ao Irã prolongar o processo e ganhar mais tempo para desenvolver seu programa atômico.

Após o início da reunião em Moscou, um porta-voz da União Europeia disse que "a atmosfera estava agradável, profissional e boa. Esperamos que isso se traduza em um sério compromisso político dos iranianos para tratar das nossas propostas".

Mas uma fonte ocidental disse, pedindo anonimato, que os seis países envolvidos na negociação estão dispostos a aprofundar o isolamento diplomático e econômico do Irã se não houver acordo. "Se o Irã continuar indisposto a aproveitar as oportunidades que esse diálogo oferece, enfrentará pressão e isolamento continuados e intensificados", disse a fonte.

Os EUA querem limitar o enriquecimento de urânio a 20% de pureza, nível que alguns especialistas veem como um perigoso passo rumo à capacidade de enriquecer o material até mais de 90%, que é o nível necessário para o uso em armas nucleares.

Ahmadinejad disse que "desde o começo a República Islâmica declara que, se os países europeus fornecessem combustível enriquecido a 20% para o Irã, não enriqueceríamos até esse nível".

*Com AP e Reuters

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