Com 15% de urnas apuradas, partido da direita lidera na Grécia

Segundo pesquisa de boca de urna logo após encerramento da votação, os partidos Nova Democracia e Syriza estavam tecnicamente empatados

iG São Paulo | - Atualizada às

Na primeira parcial divulgada pelo Ministério do Interior da Grécia, com 15% dos votos apurados, o partido de centro-direita Nova Democracia está à frente do esquerdista Syriza com 31,1% dos votos contra 23,4%. Com este resultado, o Nova Democracia - que é a favor do programa de austeridade econômica na Grécia - teria um total de 127 lugares no novo Parlamento, frente aos 72 que ficariam com o SYriza. O socialista Pasok ficaria com 32 cadeiras legislativas.

Logo após o encerramento das votações, a primeira pesquisa de boca de urna indicou que os dois partidos estavam praticamente empatados na preferência dos votos em eleição realizada neste domingo.

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O Nova Democracia tinha apenas meio ponto percentual a mais nas pesquisas que deram a esse partido de 27,5% a 30,5% dos votos, comparados aos 27% a 30% para o Syriza. Entre os demais partidos, o social-democrata Pasok obteria entre 10% e 12% dos votos o nacionalista Gregos Independentes teriam entre 6% e 7,5%, os neonazistas da Aurora Dourada chegariam a 7,5%, o Esquerda Democrática receberia entre 5,5 e 6,5% e os comunistasobteriam um máximo de 6%.

A partido neonazista grego Aurora Dourada pode ser a quarta força do Parlamento. Nikos Michaloliakos, líder do partido, que se distingue por seu discurso violento e anti-imigrante, assegurou que se oporá ao programa de austeridade da União Europeia "dentro e fora do Parlamento". "Nossas condolências aos que estavam contra nós", declarou Michaloliakos

Cerca de 9,9 milhões de gregos estavam convocados a votar nestas eleições depois que o pleito do último dia 6 de maio resultou em uma fragmentação do Parlamento que impediu a formação de governo.

AFP
Cédulas são preparadas para votação deste domingo

Economia

Dois assuntos que dominaram a campanha política no último mês foram os pacotes de ajuda financeira recebidos pela Grécia nos últimos dois anos e a permanência do país na zona do euro, a moeda europeia.

A Grécia recebeu ajuda internacional de 110 bilhões de euros, em 2010, e 130 bilhões de euros, no ano passado. O dinheiro foi usado para que o país conseguisse pagar suas dívidas, mas grande parte da população está descontente com as condições do acordo, que exige medidas duras de redução de gastos públicos.

Apenas um dos partidos na eleição se compromete a manter os compromissos que foram firmados com autoridades financeiras internacionais e com a União Europeia. Diversas outras siglas prometem diversas medidas de rompimento – como o fim imediato da austeridade.

Euro

Para os líderes europeus, caso os gregos rejeitem o acordo que possibilitou os dois pacotes de resgate, a Grécia provavelmente terá de deixar a zona do euro, e voltar a adotar sua moeda antiga, o dracma.

Na véspera da votação, a chanceler alemã, Angela Merkel, fez um apelo ao povo grego para que mantenha seu compromisso com a austeridade fiscal.

"É extremamente importante que as eleições de amanhã [domingo] na Grécia levem a um resultado no qual aqueles que formarão o governo digam: 'Sim, nós queremos manter os nossos compromissos'", afirmou a chanceler.

Já para Angel Gurria, diretor da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), o novo governo grego deveria ter uma chance de renegociar pelo menos parte do acordo de resgate.

"Se esta é a condição para que a Grécia fique [na zona do euro] e siga em diante, eu diria que é provavelmente algo que deveria ser tentado", afirmou Gurria.

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Os dois principais políticos que eram vistos como favoritos nestas eleições – até a suspensão da divulgação de pesquisas de opinião – disseram que o pleito deste domingo é o sinal de uma nova era para a Grécia.

"Hoje o povo grego fala. Amanhã uma nova era começa para a Grécia", disse o líder do partido Nova Democracia, Antonis Samaras, ao votar neste domingo. O economista, que já foi ministro das Relações Exteriores nos anos 90, foi contra o primeiro pacote de resgate, mas mudou de opinião diante do segundo acordo.

"Nós conquistamos o medo. Hoje nós abrimos o caminho para a esperança", disse o líder Alexis Tsipras, do partido esquerdista Syriza, ao depositar o seu voto. Sua sigla defende o fim imediato das medidas de austeridade, mas prega que a Grécia deve permanecer na zona do euro.

* Com BBC, AFP e EFE

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