Morre o príncipe herdeiro saudita Nayef bin Abdul Aziz

Causas da morte ainda não foram reveladas. Linha de sucessão ao trono do reino fica aberta

iG São Paulo | - Atualizada às

A morte do septuagenário príncipe herdeiro da Arábia Saudita, Nayef bin Abdul Aziz Al Saud, marca o fim de um homem conhecido por suas ideias conservadoras e sua reputação como falcão antiterrorista durante os 37 anos que esteve à frente do Ministério do Interior do país. 

AP
O príncipe Nayef em foto de arquivo (maio de 2012)

Em um breve comunicado, a Casa Real saudita indicou que o príncipe Nayef morreu "fora do país", onde estava sendo tratado de uma doença, mas não divulgou mais detalhes. O jornal saudita "Ao Riad" especificou que o herdeiro ao trono faleceu em sua residência na cidade de Genebra (Suíça).

O príncipe, de 78 anos, tinha se transformado no herdeiro da Coroa saudita há apenas oito meses, em outubro de 2011, após a morte de seu irmão, Sultan bin Abdul Aziz .

Nayef era ministro do Interior desde 1975 e vice-presidente do governo, e tinha muita experiência na gestão dos assuntos do país. Ele pertencia à ala mais poderosa da família real Saud, que inclui sete filhos do fundador da dinastia, o rei Abdelaziz Al-Saud. São conhecidos como "os sete Sudairi" por serem filhos de uma mãe que pertencia à ilustre família Sudairi - o mais velho era o rei Fahd, morto em 2005.

O príncipe Nayef ganhou prestígio mundial por sua gestão à frente do Ministério do Interior na luta contra o terrorismo que realizou dentro da Arábia Saudita após os atentados de 11 de setembro de 2001 nos Estados Unidos.

"A Arábia Saudita é o único país que conseguiu frear em seu território a rede terrorista Al Qaeda e desmantelar os grupos locais que tentaram se estabelecer no país, já que o príncipe Nayef conseguiu efetivamente combater o terrorismo com severidade", disse à Agência Efe o diretor de redação de assuntos políticos da rede "Al Jazeera", Ahmed Deif.

O terrorismo não foi o único desafio enfrentado pelo príncipe em questões de segurança. Em 1979, teve de lidar com os graves distúrbios causados na Grande Mesquita da cidade santa de Meca. Na época, as forças de segurança sauditas abortaram uma tentativa de um grupo radical de ocupar o templo sagrado.

Desde que assumiu a pasta do Interior em 1975, Nayef se caracterizou por seus ideais conservadores dada sua proximidade aos meios religiosos, o que despertou receios no Ocidente.

Ele expressou publicamente opiniões a favor de restringir as liberdades individuais e repudiou a ideia de permitir que as mulheres sauditas pudessem dirigir veículos nas ruas. Também se opôs à realização de eleições legislativas para a composição do Conselho Consultivo (Parlamento) e agradeceu aos cidadãos sauditas que não se somassem às revoltas populares inspiradas nos processos revolucionários de Tunísia e Egito, que deram início à Primavera Árabe.

Em 2011, ganhou um processo na Justiça local contra o jornalista britânico Robert Fisk, que tinha divulgado um documento que indicava que o então recém-nomeado príncipe herdeiro tinha dado instruções aos corpos de segurança para reprimir manifestações. O tribunal a cargo do caso considerou que o documento era falso.

O príncipe herdeiro saudita tinha quatro filhos e seis filhas, fruto de seu casamento com três esposas. Ele era divorciado de uma delas. Entre seus filhos, destaca-se o subsecretário de Assuntos de Segurança da Arábia Saudita, o príncipe Mohammed.

Sucessão

Com a morte, a linha de sucessão ao trono fica aberta. analistas e estudiosos da política saudita indicam que seu irmão Salman, ministro da Defesa desde novembro de 2011, seria o principal favorito a assumir o status de príncipe herdeiro ao trono saudita.

A partir deste sábado, começa um prazo de 30 dias para escolher um novo herdeiro ao trono, segundo o artigo 9 do regulamento do chamado Hayat al-Bay'ah (Conselho de Lealdade). O rei saudita, Abdullah bin Abdul Aziz, terá de apresentar um candidato. 

Está prevista para este domingo a celebração de "uma oração por sua alma" na Grande Mesquita da cidade santa de Meca, segundo a nota oficial de Riad.

* Com informações da EFE

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