Katsuya Takahashi era procurado há 17 anos por suposto envolvimento em ataque com gás sarin que deixou 13 mortos e cerca de 6 mil feridos

A polícia do Japão prendeu nesta sexta-feira o último fugitivo suspeito de um ataque com gás sarin no metrô de Tóquio em 1995, considerado o pior atentado terrorista da história do país. Katsuya Takahashi, 54 anos, passou anos na lista de mais procurados do país por seu suposto envolvimento no atentado que deixou 13 mortos e cerca de 6 mil feridos.

Ele foi preso em um café no bairro de Ota, no sul de Tóquio. De acordo com a imprensa japonesa, ele trabalhou durante anos em uma empresa de construção e conseguiu evitar ser capturado usando um nome falso e uma máscara cirúrgica, além de escolher trabalhos que não envolvesse se relacionar com pessoas.

Vídeo:  Presa mulher que fabricou gás de atentado em Tóquio

Katsuya Takahashi, centro, é visto em carro da polícia após ser preso em Tóquio, no Japão
AP
Katsuya Takahashi, centro, é visto em carro da polícia após ser preso em Tóquio, no Japão

A busca por Takahashi esquentou após a prisão de outra suspeita do ataque, Naoko Kikuchi, em 3 de junho, que teria informações sobre ele. Milhares de policiais começaram a procurar o fugitivo e a espalhar fotos do procurado pela cidade.

Após a prisão de Kikuchi, Takahashi abandonou o emprego. Ele foi preso depois de o dono da cafeteria ter ligado para a polícia dizendo ter reconhecido o suspeito.

Takahashi é acusado de ser um dos participantes do atentado de Tóquio, no qual vários membros da seita Aum Shinrikyo (Verdade Suprema) perfuraram bolsas de sarin colocadas nos vagões de cinco trens do metrô em plena hora do rush, na manhã de 20 de março de 1995.

O sarin, uma das armas químicas artificiais mais perigosas, se propagou com rapidez e atacou o sistema nervoso dos viajantes, o que provocou 13 mortes por inalação e a intoxicação de mais de seis mil pessoas, que ainda hoje sofrem graves sequelas. Segundo as investigações, Takahashi foi, junto com o líder da seita Verdade Suprema, Shoko Asahara (cujo nome real é Chizuo Matsumoto), um dos conspiradores do atentado em Tóquio.

A Verdade Suprema nasceu em 1984 quando Asahara abriu um pequeno seminário de ioga no bairro de Shibuya, em Tóquio, no qual recrutou membros da elite universitária japonesa.

A seita se transformou pouco a pouco em uma poderosa organização subdividida em "ministérios", com capacidade para produzir agentes químicos e armas leves e chegou inclusive a adquirir um helicóptero militar russo.

Desde 1996, os tribunais japoneses processaram 189 membros da seita, emitiram cinco penas de prisão perpétua e confirmaram 13 penas de morte, entre elas a de Asahara, embora por enquanto nenhuma das execuções tenha sido realizada.

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