Em depoimento, premiê britânico nega acordo com Murdoch

Cameron chama de 'falsas' e 'injustificadas' as especulações sobre favorecimento político ao magnata em troca de apoio eleitoral

iG São Paulo | - Atualizada às

Durante depoimento em um inquérito judicial sobre a ética da imprensa do Reino Unido, o primeiro-ministro britânico, David Cameron, negou nesta quinta-feira ter feito qualquer acordo de favorecimento político ao império de mídia do magnata Rupert Murdoch em troca de apoio eleitoral. “A ideia de que existiu qualquer acordo é completamente sem sentido”, disse o premiê, acrescentando que especulações e "teorias da conspiração" são “falsas” e “injustificadas”.

O inquérito foi lançado após o escândalo de escutas ilegais do extinto tabloide News of The World , que era publicado pela News International, o braço britânico da News Corp de Murdoch. As investigações abordam também os laços entre políticos e a imprensa e Cameron ficou na berlinda por ser amigo da ex-chefe da News International  Rebekah Brooks e por ter nomeado como porta-voz Andy Coulson , ex-editor do News of the World.

AP
O premiê britânico, David Cameron, chega a tribunal para prestar depoimento em Londres

Cameron afirmou ter tido 1.404 reuniões com “figuras da mídia” enquanto era membro da oposição, de 2005 a 2010 – uma média de 26 encontros por mês. Desde que assumiu o cargo de premiê, em 2010, a média passou para cerca de 13 reuniões por mês.

“A maior parte destas reuniões tinha o objetivo de promover as políticas do Partido Conservador”, disse Cameron. Ele admitiu ter dito a alguns editores que “adoraria ter mais apoio de seus jornais”, mas afirmou que esse tipo de conversa “não aconteceu com frequência”.

Cameron afirmou ter tido um jantar com Murdoch em uma ilha grega em 2008 porque era uma chance de “construir uma relação” com o magnata. Ele também disse que uma mensagem enviada por Rebekah em outubro de 2009 dizendo que “torcia para ele” apenas refletiu o fato de que o The Sun, outro tabloide da News International, tinha apoiado os conservadores na eleição. Na mensagem, Rebekah afirmou que a torcida por Cameron era “como amiga” e porque “profissionalmente estamos juntos nessa”.

Rebekah e seu marido, Charlie, que estudou com Cameron, foram acusados de conspiração para obstruir as investigações sobre o escândalo de escutas ilegais. Os dois negam ter cometido qualquer irregularidade.

O premiê também foi questionado sobre sua decisão de nomear Coulson como seu porta-voz depois de ele ter se demitido do News of the World em meio às primeiras denúncias sobre escutas ilegais.

Cameron disse saber que a nomeação era “controversa”, mas disse ter recebido garantias na época de que Coulson não sabia nada sobre os grampos. “Busquei garantias, consegui essas garantias e o empreguei”, afirmou.

O premiê disse que transparência, leis melhores e “um pouco mais de distância” podem ajudar a melhorar as relações entre a imprensa e o poder. “Quando digo distância, quero dizer que os políticos precisam sair do círculo de notícias 24 horas, não podem tentar combater em todas as batalhas. É preciso focar no longo prazo e estar preparado para ser atingido por uma reportagem e não responder a ela imediatamente”, explicou.

Com BBC

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