'Tweet' de primeira-dama da França provoca crise política para Hollande

Valérie Trierweiler é criticada por políticos e pela imprensa após manifestar apoio ao rival da ex-mulher do presidente francês nas eleições legislativas

iG São Paulo | - Atualizada às

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Capa do Libération mostra Valérie Trierweiler e a frase: "A primeira gafe da França"

Menos de um mês após tomar posse , o presidente da França, François Hollande, enfrenta sua primeira tempestade política motivada por um tweet de sua companheira, Valérie Trierweiler , contra sua ex-mulher, Ségolène Royal. 

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O comentário da primeira-dama, que manifestou apoio ao rival de Ségolène nas eleições legislativas, foi destaque na imprensa francesa, criticado por políticos e deve atrapalhar o esforço de Hollande para não misturar sua vida privada e pública, um traço marcante do governo de seu antecessor, Nicolas Sarkozy, que irritou grande parte dos eleitores.

Valérie, que é jornalista e usa o Twitter com frequência, manifestou apoio a Olivier Falorni, dissidente do Partido Socialista (PS) de Hollande.

Falorni, que se recusou a apoiar Ségolène, lançou candidatura própria e agora ameaça a vitória dos socialistas nas eleições legislativas na circunscrição de La Rochelle.

"Ânimo a Olivier Falorni, que não perdeu a dignidade e se mostra ao lado de La Rochelle há tantos anos com um compromisso altruísta", disse a primeira-dama no Twitter.

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O comentário foi muito criticado pela imprensa francesa. O jornal Libération estampou uma foto de Valérie na capa ao lado da manchete “Primeira gafe da França”, num jogo de palavras com a expressão “primeira-dama”. O Le Figaro chamou o tweet de “ato político grave”, enquanto o Le Monde publicou um editorial aconselhando a companheira de Hollande a “esquecer” o Twitter.

Políticos socialistas condenaram o comentário. O primeiro-ministro francês, Jean-Marc Ayrault, nomeado por Hollande , afirmou que "cada qual deve permanecer no seu lugar" e que a primeira-dama deve ter "um papel discreto".

Na terça-feira, Ayrault afirmou que Hollande apoia "a fundo" a candidatura de Ségolène, mas pessoas próximas a Falorni, segundo fontes citadas pela emissora Itélé, indicam que o presidente sabia das intenções de Valérie e lhe teria dado aval para o tweet.

O líder da bancada socialista no Senado, François Rebsamen, disse que a primeira-dama "deve aprender a ser reservada". O deputado socialista Jean-Louis Bianco, ligado à Ségòlene, foi mais duro: "Elegemos François Hollande e não Valerie Trierweiler", afirmou.

Satisfeitos com a polêmica após a vitória da esquerda no primeiro turno das legislativas , políticos da direita fez vários ataques aos socialistas. 

Eric Ciotti, deputado do partido de direita UMP, afirmou que a questão “ridiculariza o país e o chefe de Estado". Ele acrescentou que os socialistas têm a virtude de “fazer os franceses sorrirem”, mas que os eleitores devem enviá-los ao teatro e não ao Parlamento.

Na televisão francesa, muitos especulavam sobre os motivos por trás do comentário de Valérie. “Ou ela está cega de ciúmes ou fez um ato político muito bem calculado”, opinou o comentarista político da BFM TV, Olivier Mazerolle.

O relacionamento entre Valérie e Ségolène, que é mãe dos quatro filhos de Holande, é notavelmente tenso. Especula-se que a primeira-dama tema uma aproximação entre o ex-casal caso Ségolène vença a eleição em La Rochelle e tente ser presidente da Assembleia Nacional, posição que lhe daria contato praticamente diário com o líder.

AP
Primeira-dama Valérie Trierweiler e presidente francês, François Hollande, participam em Tulle de marcha em homenagem a vítimas do nazismo (09/06)

Com AFP e AP

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