Comissão: Extremista norueguês enganou psiquiatras na 2ª avaliação de sanidade

Relatório rejeita análise de abril que indica Breivik como são e apoia avaliação de novembro que o aponta como esquizofrênico; psiquiatras dos dois estudos deporão nos próximos dias

iG São Paulo | - Atualizada às

Um relatório psiquiátrico da Comissão de Medicina Legista indicou nesta quarta-feira que o autor confesso do ataque duplo de julho de 2011 na Noruega, Anders Behring Breivik , não pode ser considerado responsável por suas ações por estar psicótico no momento de seus atos. Em 22 de julho, Breivik deixou um total de 77 mortos ao explodir um carro-bomba perto de prédios do governo em Oslo e depois atacar a tiros um acampamento juvenil do Partido Trabalhista na Ilha de Utoya .

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AP
Advogado de Anders Behring Breivik, Geir Lippestad (E), left, cobre rosto enquanto conversa com seu cliente (D) durante a nona semana de julgamento em Oslo, Noruega

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De acordo com o relatório apresentado, Breivik foi considerado são pelo segundo exame mental apresentado em abril por ter conseguido enganar os profissionais responsáveis por sua avaliação. A primeira avaliação, apresentada em novembro, concluiu o contrário - que Breivik é insano  por sofrer de esquizofrenia. As afirmações foram feitas durante a nona semana do julgamento do extremista norueguês, que está previsto para ser concluído em 22 de junho.

Segundo o relatório apresentado nesta quarta, Breivik enganou os psiquiatras por pensar que a declaração de que é louco desmereceria sua ideologia antimuçulmana. Apesar de ter admitido a autoria dos ataques, Breivik rejeita a responsabilidade penal argumentando que as vítimas eram "traidores", cuja visão multiculturalista facilitava o que ele enxerga como uma invasão muçulmana na Europa.

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Como mesmo a defesa admite ser quase impossível que o extremista seja absolvido, a principal questão do julgamento é determinar se Breivik é criminalmente insano. Se considerado são, a corte deve emitir uma sentença de prisão. Se não, ele será enviado a uma instituição psiquiátrica.

O segundo relatório sobre a saúde mental de Breivik foi feito após o primeiro ter causado uma forte reação no país. Na avaliação de abril, os psiquiatras Torgeir Tørrissen e Agnar Aspaas observaram o extremista por três semanas na prisão. "O ponto de partida é que, como não foram observados sinais de psicoses nesse período, é pouco provável que seja psicótico. Mas, gostaria de discutir isso melhor, pois vi pacientes ocultarem os sintomas por mais de três semanas", disse Karl Heinrik Melle, líder da comissão de psiquiatras, em um testemunho retransmitido pelo canal NRK.

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Para Melle, Breivik tem acesso desde dezembro aos meios de comunicação e, por isso, pode ter adequado suas respostas para conseguir um diagnóstico diferente. No entanto, esse aspecto foi ignorado pelos agentes que o observaram na prisão.

O líder da comissão legista acredita que a exposição da imprensa concomitante ao processo judicial dificultou o trabalho da segunda equipe psiquiátrica, enquanto o primeiro grupo, de Synne Sorheim e Torgeir Husby, contaram com "um melhor ponto de partida", já que em novembro o extremista estava em regime de isolamento quando avaliado.

Melle afirmou que apoia o diagnóstico do primeiro, que qualificou de um estudo "mais acadêmico". Ele também argumentou que o fato de Breivik ter passado anos planejando os ataques mostra que isso ocupou toda sua vida e sua compreensão da realidade, o que impediu sua convivência normal na sociedade, de modo que houve uma ruptura com a realidade, e ele pode ser considerado psicótico em sentido penal.

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Durante o julgamento, porém, algumas respostas evasivas e confusas de Melle provocaram aborrecimento em um dos juízes e em um dos representantes legais das vítimas, sobretudo porque até hoje não era conhecido qualquer desacordo interno entre os membros da comissão sobre os relatórios.

Breivik, por sua vez, lamentou a "falta de competência" da comissão na hora de julgar a ideologia ultradireitista e insinuou que os especialistas foram vítimas de pressões. Sorheim e Husby têm na quinta-feira a oportunidade de explicar detalhadamente seu relatório perante o tribunal, enquanto Torrissen e Aspaas falarão na sexta ou segunda-feira.

As declarações serão fundamentais para determinar se a promotoria pedirá uma pena de prisão para Breivik, no caso de ele ser considerado penalmente responsável pelos seus atos, ou sua entrada em um centro psiquiátrico, caso contrário.

*Com EFE

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