Segundo autoridades, objetivo é mostrar vontade dos moradores de que ilha continue a ser território do Reino Unido, pondo fim à reivindicação da Argentina por soberania

O governo das Ilhas Malvinas anunciou nesta terça-feira que em 2013 será realizado um referendo sobre o “status político” da ilha, numa tentativa de reafirmar a vontade dos moradores de que o território continue a ser do Reino Unido, encerrando a reivindicação da Argentina por soberania.

O anúncio foi feito dois dias antes do 30º aniversário do fim do conflito entre o Reino Unido e a Argentina por causa das ilhas, que aconteceu entre 2 de abril e 14 de junho de 1982, deixando 655 argentinos e 255 britânicos mortos.

Infográfico: Entenda a disputa de Argentina e Reino Unido pelas Malvinas

Moradora de Stanley, nas Ilhas Malvinas, mostra nota com foto da rainha Elizabeth 2ª (04/03)
AP
Moradora de Stanley, nas Ilhas Malvinas, mostra nota com foto da rainha Elizabeth 2ª (04/03)

O comunicado divulgado pelo governo autônomo afirma que a consulta popular acontecerá no primeiro semestre de 2013, na presença de observadores internacionais independentes. O premiê britânico, David Cameron, afirmou que o Reino Unido "respeitará e defenderá" a decisão dos habitantes da ilha.

O presidente da Assembleia Legislativa local, Gavin Short, disse que o referendo será realizado para “mostrar ao mundo” que os moradores das ilhas querem continuar sendo governados pelos britânicos.

"Não tenho nenhuma dúvida de que os moradores das 'Falklands' (como as Malvinas são chamadas pelos britânicos) desejam que as ilhas continuem sendo um território do Reino Unido autogovernado. Não temos, em absoluto, nenhum desejo de ser governados por Buenos Aires, um fato que é imediatamente óbvio para qualquer um que tenha visitado as ilhas e escutado nossas opiniões”, afirmou.

"Mas somos conscientes de que nem todo mundo pode vir a estas belas ilhas e ver a realidade por si próprio. E o governo argentino utiliza uma retórica enganosa que implica incorretamente que não temos opiniões fortes ou, até mesmo, que somos reféns das Forças Armadas britânicas. Isto é simplesmente absurdo", completou Short.

A Guerra das Malvinas começou após a invasão do arquipélago por forças argentinas enviadas pelo então ditador Leopoldo Galtieri.

O conflito, que acabou 74 dias depois com a rendição da Argentina ao Reino Unido, ajudou a pôr fim aos sete anos de ditadura no país sul-americano (1976-1983) e garantiu a reeleição da vencedora, a então primeira-ministra britânica Margaret Thatcher .

Mas o desfecho do conflito não acabou com a disputa pela soberania das ilhas do Atlântico Sul. Desde então, a Argentina tentou quase todos os métodos para que o Reino Unido aceitasse negociar a soberania, como estabelece uma histórica resolução votada pela Assembleia da ONU em 1965. O Reino Unido rejeita a discussão com o argumento de que os kelpers (habitantes das ilhas) querem continuar sob soberania britânica, instituída no arquipélago em 1883.

O recente envio à região de uma fragata britânica e do príncipe William em uma manobra militar alimentou essa tensão e levou a Argentina à ONU para acusar Londres de militarizar o Atlântico Sul. Em meio a esse aumento de tensões, os países do Mercosul e associados se comprometeram em dezembro a proibir a entrada em seus portos de barcos com bandeira das Malvinas.

Com AP e AFP

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