Polícia russa faz buscas em casas de líderes opositores antes de protesto

Ativistas dizem que governo tenta enfraquecer megamanifestação contra Putin convocada para terça-feira

iG São Paulo | - Atualizada às

A polícia da Rússia fez buscas nos apartamentos de vários líderes da oposição nesta segunda-feira, um dia antes de um megaprotesto convocado contra o presidente Vladimir Putin. O líder assinou na sexta-feira uma lei que aumenta as multas por violações à ordem pública em manifestações de rua, elevando a tensão com os opositores, que não reconhecem sua vitória na eleição presidencial de maio.

Leia também:  Putin sanciona lei que aumenta multas para manifestantes

AP
Forças de segurança da Rússia montam guarda em frente à casa do opositor Alexei Navalny em Moscou enquanto ativistas aguardam

Entre os líderes da oposição que foram alvos dos mandados de busca nesta segunda-feira estão AlexeI Navalny , Sergei Udaltsov e Ilya Yashin, além da apresentadora de TV Kseniya Sobchak e do ex-vice-premiê Boris Nemtsov. Todos foram intimados a depor na terça-feira, numa aparente tentativa do governo de impedir sua participação no protesto.

"Há uma busca acontecendo na minha casa. Eles praticamente arrancaram a porta", disse Navalny no Twitter. Mais tarde, o blogueiro anticorrupção afirmou que a polícia havia confiscado aparelhos eletrônicos.

A principal agência de investigação da Rússia informou que estavam planejadas cerca de dez buscas, todas relacionadas a uma investigação criminal sobre violência contra a polícia em um protesto realizado em Moscou na véspera da posse de Putin , que ocorreu em 7 de maio.

Ativistas da oposição prometeram continuar com os planos para o protesto de terça-feira.

"Estas medidas repressivas insanas são para assustar as pessoas", afirmou o ativista Sergei Davidis, acrescentando que as manifestações irão adiante como o planejado.

As buscas são encaradas pela oposição como mais uma dura resposta do Kremlin a uma série de protestos de rua realizados desde dezembro contra Putin e como parte de uma repressão mais ampla contra a oposição desde seu retorno à presidência, em maio.

A lei assinada na sexta-feira fará com que as multas contra pessoas físicas subam dos atuais 2 mil rublos para 300 mil rublos (US$ 9 mil), oferecendo como alternativa o cumprimento de 200 horas de trabalho social. Pessoas jurídicas teriam de pagar 1 milhão de rublos (US$ 30 mil), números considerados exagerados pela oposição.

Um relatório de especialistas do Conselho Consultivo para os Direitos Humanos ante o Kremlin afirmou que esta lei viola o artigo 31 da Constituição, que garante a liberdade de se manifestar.

Além das multas mais altas, o novo projeto de lei pune os organizadores de "reuniões públicas de larga escala" se eles perturbarem a ordem pública.

Com AFP, AP e EFE

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