Enviado da ONU pede mais "pressão" sobre a Síria ao Conselho de Segurança

Kofi Annan afirmou que o seu plano de paz não vem sendo respeitado e que a crise pode ficar fora de controle em breve

iG São Paulo |

O mediador internacional Kofi Annan alertou o Conselho de Segurança da ONU na quinta-feira que a crise na Síria pode ficar fora de controle em breve e pediu "pressão substancial" sobre o governo sírio por suas consequências por estarem minando seu plano de paz, afirmaram diplomatas.

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Annan fez as declarações em sessão a portas fechadas do Conselho de Segurança com a presença do secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, que afirmou que as esperanças para consolidar o plano de paz de seis pontos de Annan para a Síria estavam acabando em meio à implacável violência das forças leais ao presidente Bashar al-Assad e dos rebeldes de oposição, disseram diplomatas em condição de anonimato.

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AP
Vídeo indica mostram meninos sírios que sobreviveram a massacre em Hama, centro da Sìria

Nesta quinta-feira, Ban Ki-moon disse que monitores da organização foram alvo de disparos ao tentar chegar ao cenário do mais recente massacre da Síria , que teria deixado dezenas de mortos. À Assembleia Geral da ONU, Ban disse que observadores desarmados tiveram inicialmente seu acesso negado à vila de Qubair, na Província de Hama (centro do país), e que "foram alvo de disparos com armas de baixo calibre" enquanto tentavam chegar ao local. Ele, porém, não mencionou se o incidente deixou vítimas.

Como o regime de Bashar al-Assad impossibilita o acesso da imprensa, é impossível confirmar de forma independente o número exato de mortos e as circunstâncias da chacina em Qubair. Dois grupos de ativistas sírios, o Comitê de Coordenação Local e o Conselho Nacional Sírio, apontaram que o massacre deixou 78 mortos, incluindo muitas mulheres e crianças.

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De acordo com as duas fontes, milicianos pró-governo conhecidos como shabiha primeiramente dispararam contra a vila agrícola e depois invadiram o local. Algumas das vítimas foram executadas a tiros, outras mortas a facadas, e houve corpos que foram queimados. O governo sírio negou que o massacre tenha acontecido.

Segundo Ban, cada dia a Síria vê mais "atrocidades horríveis", e há meses ficou evidente que o presidente Assad e seu governo "perderam toda a legitimidade".

O secretário-geral disse que qualquer regime que tolere massacres como o de 108 civis no mês passado na região de Houla, na Província de Hama, e o de quarta-feira em Hama "perdeu sua humanidade fundamental". Entre os mortos de Houla havia 49 crianças e 43 mulheres . Os massacres acontecem enquanto um plano de paz fracassa e o país se aproxima cada vez mais de uma guerra civil .

Hama foi o local de um notório massacre em 1982 , quando o pai e antecessor de Assad, Hafez, ordenou que o Exército coibisse uma rebelião sunita. A Anistia Internacional estimou que entre 10 mil e 25 mil foram mortos no cerco, embora existam dados conflitantes e o governo sírio nunca tenha feito uma estimativa oficial.

AP
Imagens alegam mostram corpos de crianças mortas em Qubair´, na Província de Hama

Ativistas dizem que a repressão de Assad contra o levante antigoverno deixou 13 mil mortos desde março de 2011. Um ano depois do início da revolta, a ONU estimou o número de mortos em mais de 9 mil , mas centenas morreram desde então.

A comunidade internacional vem condenando a repressão conduzida por Assad, mas os EUA e seus aliados têm pouca possibilidade de ação na Síria. Os líderes ocidentais depositaram suas esperanças na pressão diplomática do enviado especial Kofi Annan, com os EUA e outros não desejando se envolver profundamente em outro tumulto em uma nação árabe - principalmente uma tão imprevisível quanto a Síria.

O conflito está entre os mais explosivos da Primavera Árabe , em parte por causa da rede de alianças de forças como o grupo xiita libanês Hezbollah e o xiita Irã. A Rússia e a China têm impedido uma ação mais forte do Conselho de Segurança da ONU, dando a Assad uma significativa proteção enquanto a repressão continua. Ambos os países, que têm poder de veto no órgão mais importante da ONU, opõem-se a uma intervenção militar na Síria.

*Com Reuters, AP, BBC e AFP

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