Japão cancela contratação de brasileiros para limpar lixo tóxico de Fukushima

Brasil protesta contra oferta de emprego feita a cidadãos do País para trabalhar em usina nuclear destruída por tsunami e contaminada por radiação

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A contratação de brasileiros para a perigosa tarefa de retirar lixo e entulho contaminado do entorno da usina nuclear de Fukushima , no Japão, foi cancelada após intervenção da Embaixada do Brasil em Tóquio.

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Prédio danificado de Reator 4 é visto na usina de Fukushima, Japão (foto de arquivo)

A polêmica oferta de emprego, que chamou a atenção pelo alto salário oferecido - cerca de R$ 22 mil reais por mês, por duas horas de trabalho máximo por dia -, fez com que a embaixada entrasse em contato com a empresa de recrutamento, localizada em Osaka, para comunicar a insatisfação do governo brasileiro.

"O presidente dessa empreiteira, ante a repercussão tão negativa, disse que havia rescindido o contrato com o empregador final e que, portanto, nenhum brasileiro será contratado para trabalhar na usina nuclear de Fukushima", disse Batalha.

Os brasileiros seriam os primeiros estrangeiros a retirar o entulho e lixo tóxico da usina, atingida pelo terremoto e tsunami de 11 de março do ano passado. Até agora, somente japoneses estavam autorizados a fazer o serviço.

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O diplomata contou que fez o contato por telefone e explicou ao presidente da empreiteira que a embaixada brasileira acompanharia o tema com preocupação e tomaria as medidas necessárias para garantir a preservação da saúde dos brasileiros.

Segundo Batalha, o recrutamento preocupa "por tratar-se de zona de risco, em usina nuclear que sofreu grave acidente no ano passado". O próprio empresário disse ao diplomata que sua empresa teria recebido diversos telefonemas de brasileiros e japoneses, expressando semelhante preocupação.

Trabalho perigoso

De acordo com informações divulgadas pela própria empreiteira, 20 pessoas seriam recrutadas para o serviço. Centenas, no entanto, teriam se cadastrado para o emprego, após a publicação do anúncio em um jornal em português que circula na comunidade brasileira.

A oferta era de 30 mil ienes por dia, o que equivale a cerca de R$ 750. Por medida de segurança, os trabalhadores só podem ficar na área de 20 km em volta da usina por apenas duas horas diárias.

O trabalho, perigoso, requer roupa especial e autorização do governo. Os trabalhadores selecionados devem também passar por uma rígida avaliação de saúde.

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