Homens-bomba matam 22 civis em mercado de Kandahar, Afeganistão

Porta-voz da milícia islâmica do Taleban reivindica autoria de ação com três suicidas, que também deixou ao menos 50 feridos

iG São Paulo | - Atualizada às

Três homens-bomba se explodiram na maior cidade do sul do Afeganistão nesta quarta-feira, deixando 22 mortos e ferindo ao menos 50 em um mercado empoeirado que se transformou em um horrível cenário de sangue e corpos.

AP
Vítimas de ataque suicida são vistas em maca em hospital de Kandahar, Afeganistão

O ataque aconteceu no mesmo dia em que, no leste do país, autoridades e residentes afegãos disseram que um ataque da Otan (Organização do Tratado do Atlântico Norte) direcionado a militantes atingiu civis que celebravam um casamento, deixando mulheres e crianças entre os mortos. Em comunicado, a missão da Otan no país confirmou que um ataque na região deixou vários mortos, mas não mencionou se as vítimas são civis.

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Qari Yousef Ahmadi, porta-voz da milícia islâmica do Taleban, reivindicou responsabilidade pelo ataque em Kandahar, capital da Província de Kandahar e o local de nascimento espiritual da insurgência.

Nos últimos dois anos, dezenas de milhares de soldados da coalizão liderada pelos EUA entraram nos redutos do Taleban no sul e conseguiu aumentar a segurança na região. Mas a milícia se provou resiliente e continuou lançando ataques suicidas e assassinatos específicos de figuras pró-governo, abrindo novos fronts no norte e oeste e ampliando suas ações no leste.

As explosões aconteceram a cerca de 5 km do principal portão da instalação militar dirigida pela coalizão liderada pelos EUA e a cerca de 500 metros de uma base militar afegã.

O primeiro suicida detonou seus explosivos ao passar com uma moto de três rodas. Depois que pessoas correram para o local para prestar auxílio às vítimas, dois outros suicidas a pé se explodiram.

Na guerra do Afeganistão, que dura mais de uma década desde a invasão dos EUA no final de 2001, os civis ficaram muito vulneráveis às ações dos militantes e dos soldados da coalizão estrangeira. O número de civis mortos em 2011 (3.021) foi o mais elevado desde que, há cinco anos, a missão da ONU no Afeganistão (Unama) começou a registrar esse dado.

Apesar disso, a Unama informou recentemente que o número de vítimas civis no conflito diminuiu 21% no primeiro quadrimestre de 2012 em relação ao mesmo período do ano anterior. O organismo atribuiu 79% das vítimas às ações perpetradas pelos grupos insurgentes e 12% às forças de segurança afegãs e internacionais.

As tropas da Otan começaram em julho o processo de retirada gradual do Afeganistão e a transferir as tarefas de segurança às forças do país, o que deverá ser concluído até 2014 .

*Com AP e EFE

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