EUA defendem uso de avião não tripulado após morte de nº 2 da Al-Qaeda

Secretário americano da Defesa diz que ataques com as aeronaves continuarão apesar das críticas do governo paquistanês

iG São Paulo | - Atualizada às

O secretário de Defesa dos Estados Unidos, Leon Panetta, defendeu nesta quarta-feira o uso de aviões não tripulados para caçar insurgentes no Paquistão, dois dias depois de um ataque com uma aeronave deste tipo ter matado o número 2 da Al-Qaeda , Abu Yahya al-Libi. “Deixamos claro que vamos continuar nos defendendo”, disse Panetta durante uma conferência na Índia.

Questionado sobre se o uso das aeronaves representaria uma violação à soberania do Paquistão, o secretário disse que a soberania dos EUA também está em jogo. Segundo ele, os ataques com aviões não tripulados protegem tanto os americanos quanto os paquistaneses, que também são alvos de insurgentes.

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Reuters
O secretário americano da Defesa, Leon Panetta, discursa em conferência em Nova Délhi, na Índia

Na terça-feira, o governo paquistanês reiterou a um diplomata americano suas “sérias preocupações” em relação aos ataques com aviões não tripulados. Segundo o Paquistão, as aeronaves causam mortes de civis e alimentam o sentimento anti-EUA na população.

Apesar das críticas paquistanesas, nas últimas duas semanas os EUA realizaram pelo menos oito ataques com aviões não tripulados no país. A morte de Al-Libi deve reforçar o argumento americano de que as aeronaves são eficazes no combate ao terrorismo.

Na terça-feira, o porta-voz da Casa Branca, Jay Carney, afirmou que a morte do terrorista é um "grande golpe" contra a rede. 

"Sua morte faz parte da degradação que acontece no centro da Al-Qaeda nos últimos anos, e essa degradação enfraqueceu tanto as posições internas da organização que não há um sucessor claro (a ele)", disse.

Al-Libi foi morto na segunda-feira em um ataque lançado por um avião não tripulado no vilarejo de Khassu Khel, região tribal do Waziristão do Norte, Paquistão. Segundo autoridades paquistanesas, o ataque de segunda-feira deixou um total de oito militantes mortos.

A morte de Al-Libi é uma das mais significativas em um grupo que perdeu vários líderes importantes desde a morte de Osama bin Laden no ano passado.

Carney descreveu Al-Libi como um líder operacional e um "gerente-geral" da Al-Qaeda. Ele disse que Al-Libi tinha uma experiência vasta que será difícil para a Al-Qaeda replicar, o que aproxima a rede terrorista de seu fim.

Nascido na Líbia, al-Libi era considerado um especialista em mídia, um líder carismático que escapou de uma prisão americana no Afeganistão e ajudou a levar adiante a transformação da Al-Qaeda em um movimento terrorista cujo objetivo era conquistar partidários em todo o mundo.

Antes da confirmação da morte do terrorista pelo porta-voz da Casa Branca, uma autoridade dos EUA falou sob condição de anonimato que não há ninguém na Al-Qaeda com o conhecimento necessário para substituir Al-Libi, um dos principais estrategistas do grupo e considerado a figura mais importante da organização depois do líder Ayman Al-Zawahri.

Com Reuters e AP

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