Extrema direita apoia visão de autor de massacre na Noruega sobre o Islã

Mas testemunhas chamadas a depor para tentar provar sanidade de Breivik não endossam abertamente massacre de 77 em Oslo e na Ilha de Utoya em julho

iG São Paulo | - Atualizada às

No 31º dia de julgamento, testemunhas da defesa provenientes da extrema direita da Noruega apoiaram as opiniões sobre o Islã de Anders Behring Breivik , autor confesso do ataque duplo que deixou 77 mortos em 22 de julho em Oslo e na Ilha de Utoya .

Representantes da extrema direita norueguesa disseram que seu país era ameaçado por uma suposta "islamização" causada pela imigração muçulmana, argumento usado por Breivik para justificar o massacre, que também deixou 242 feridos.

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Reuters
Tore Tvedt, fundador da organização de extrema direita Vigrid, dá entrevista durante o julgamento de Anders Behring Breivik em Oslo, Noruega

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A defesa de Breivik disse que os testemunhos provavam que seu cliente não era louco pelo fato de mostrarem que outros compartilham de suas opiniões. Apesar disso, as testemunhas não apoiaram os ataques lançados pelo ultranacionalista.

O julgamento tenta estabelecer se o norueguês de 33 anos é são, o que reverteria em uma sentença de prisão. Se não, ele será enviado a uma instituição psiquiátrica. Breivik rejeita a responsabilidade penal , argumentando que seus ataques foram necessários para combater o multiculturalismo e evitar uma "invasão muçulmana" da Noruega e da Europa.

A corte advertiu nesta terça-feira que talvez não consiga anunciar o veredicto até 20 de julho ou mesmo 24 de agosto por questões logísticas.

O 31º dia do julgamento de Breivik teve uma sucessão de ideias radicais, com a defesa tentando mostrar que os ataques de 22 de julho de 2011 são fruto de convicções ideológicas compartilhadas por uma corrente, mesmo minoritária, e não a consequência de delírios de um doente mental.

"A Noruega está em guerra, ela está no caminho da balcanização", declarou Tore Tvedt, fundador do movimento neonazista Vigrid. "Não estamos sendo apenas atacados. Estamos em vias de erradicação", afirmou.

Antes dele, Arne Tumyr, chefe da organização "Pare com a Islamização da Noruega", lançou um virulento discurso contra o Islã - "uma religião de violência, uma religião de guerras" - e contra o profeta Maomé, que chamou de "delinquente sexual, saqueador de caravanas, assassino, criminoso de guerra".

"Consideramos o Islã uma ameaça para a sociedade e para os valores noruegueses", disse, antes de explicar que uma creche foi obrigada a não fazer referência a Leitão, amigo porco do personagem infantil Ursinho Pooh, para não afetar as crianças muçulmanas.

Embora as testemunhas tenham manifestado pontos de vista próximos aos de Breivik, nenhuma apoiou abertamente os ataques praticados pelo extremista de 33 anos.

Frente às críticas dos advogados das partes civis, o advogado de Breivik, Geir Lippestad, explicou que esses testemunhos eram necessários para mostrar que seu cliente é são. "Nosso objetivo não é argumentar em favor de uma opinião política, mas demonstrar que a visão de mundo do acusado é compartilhada por outros", ressaltou.

Mesmo que isso possa valer ao réu uma longa pena de prisão, Breivik tenta ser declarado penalmente responsável por medo de ver sua ideologia ser invalidada por uma confirmação de doença mental.

*Com BBC e AFP

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