Jornalista francês Romeo Langlois chega a Paris

Ex-refém das Farc entregará a líder francês carta em que guerrilha da Colômbia pede ajuda de países europeus para mediar conflito

iG São Paulo |

O jornalista francês Roméo Langlois, libertado na quarta-feira pelas Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) após 33 dias de cativeiro, chegou às 11h20 (6h20 de Brasília) desta sexta-feira ao aeroporto Paris-Roissy em um voo regular da Air France proveniente de Bogotá, segundo informou a emissora France24, para a qual trabalha como correspondente na capital colombiana.

Leia também: Jornalista francês chega a Bogotá após ser libertado pelas Farc

AP
Jornalista francês Romeo Langlois, que ficou sequestrado pelas Farc por um mês, desembarca no aeroporto Paris-Roissy, na França
Langlois volta a seu país com uma mensagem da guerrilha para o presidente da França, François Hollande, na qual é solicitada que "países amigos", principalmente da Europa, ajudem na busca de uma solução negociada para o conflito interno de quase meio século na Colômbia.

O próprio Langlois, que deve fazer declarações em Paris, anunciou em coletiva em Bogotá, antes de viajar à França, que levava uma carta das Farc. "A guerrilha quer que muitos países possam contribuir, principalmente os europeus. Quer que outros países participem porque acredita que apenas entre colombianos será difícil", disse na Colômbia.

Na carta, o grupo também pede desculpas públicas por tê-lo classificado como " prisioneiro de guerra ". "É a primeira vez que pedem desculpas e é muito importante deixar claro que a imprensa não é inimiga", disse Langlois, ao pedir a seus colegas que "cubram esse conflito que está cada vez mais esquecido".

Ele defendeu sua decisão de usar um colete à prova de balas e um capacete fornecido pelo Exército, o que levou, em um primeiro momento, a guerrilha a considerá-lo "prisioneiro de guerra" por vestir uniforme militar. "Pensei muito nisso, não foi uma decisão insana. As balas, quando chegam, não sabem se você é civil ou não", afirmou.

Além disso, Langlois descartou qualquer responsabilidade dos militares no incidente. "Apoio totalmente o Exército colombiano. De forma alguma é responsável pelo que aconteceu comigo", afirmou.

"Minha impressão sobre o que aconteceu é que as Farc querem a paz, mas não querem qualquer paz. Podem seguir combatendo por mais 50 anos", disse. Para o jornalista que trabalhou durante cerca de dez anos na Colômbia na cobertura do conflito interno, o que ele sofreu faz parte dos "riscos profissionais".

Antes de deixar o avião, ele abraçou seus pais. Foi recebido depois pela ministra da Cultura e da Comunicação Aurélie Filippetti, que representou Hollande, e pelo ministro do Desenvolvimento Pascal Canfin.

Langlois foi capturado no Departamento de Caquetá, sul da Colômbia, em 28 de abril durante um ataque contra um grupo de militares que ele acompanhava para filmar uma operação de combate às drogas. Quatro militares morreram no ataque. O francês, que foi ferido no braço esquerdo ao ser capturado, foi entregue a uma missão humanitária na quarta-feira pelas Farc na região de Caquetá.

Fundadas em 1964, as Farc contam atualmente com cerca de 9,2 mil combatentes, segundo o Ministério colombiano da Defesa.

*Com EFE e AFP

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