Medida é tomada um dia após ministro israelense da Defesa sugerir que ação unilateral pode ser necessária para resolver conflito

Israel entregou nesta quinta-feira às autoridades palestinas os restos mortais de 91 militantes palestinos envolvidos em atentados, na expectativa de que isso contribua para a retomada do processo de paz.

A entrega aconteceu um dia depois de o ministro israelense da Defesa, Ehud Barak, dizer que o país “não pode esperar para sempre” para chegar a um acordo de paz, sugerindo a possibilidade de uma ação unilateral para definir territórios e resolver o conflito.

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Em Ramallah, militares palestinos arrumam bandeiras em caixões nos quais foram colocados restos mortais de militantes palestinos
AP
Em Ramallah, militares palestinos arrumam bandeiras em caixões nos quais foram colocados restos mortais de militantes palestinos

Os militantes estavam enterrados, alguns há décadas, em um isolado cemitério militar israelense para "combatentes inimigos" na Cisjordânia ocupada. De acordo com autoridades, os restos mortais de 79 militantes foram transportados para Ramalah e de 12 para a Faixa de Gaza.

"É nossa esperança que esse gesto humanitário sirva tanto como uma medida de construção de confiança quanto para ajudar a colocar o processo de paz novamente nos trilhos", disse o porta-voz do governo israelense, Mark Regev. "Israel está pronto para uma retomada imediata das negociações de dos assentamentos judaicos em territórios ocupados.

Na terça-feira, Barak não especificou que tipo de ação deveria ser tomada por Israel. “Não agir não é uma opção. Israel não pode tolerar a estagnação”, afirmou. “Será uma decisão difícil, mas o tempo está acabando.”

Na terça-feira, a secretária de Estado americana, Hillary Clinton, disse que uma ação unilateral de Israel não substitui negociações israelo-palestinos para uma solução que garanta a definição de dois Estados.

Após a entrega dos corpos, milhares de palestinos acompanharam cortejos fúnebres enquanto seguravam fotos das vítimas e bandeiras. “Meu filho era um herói”, disse uma mulher. “O inimigo o temia até depois de sua morte, por isso guardou seu corpo”.

Com AP e Reuters 

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