Ativista cego: Ilegalidade atrapalha avanço democrático na China

Mas em sua 1ª grande aparição pública desde chegada aos EUA, Chen Guangcheng diz que sistemas de comunicação modernos ajudarão a acelerar processo

iG São Paulo |

Chen Guangcheng , ativista cego da China que escapou de sua prisão domiciliar e mudou-se para os EUA depois de um dramático impasse diplomático, fez sua primeira grande aparição pública em Nova York nesta quinta-feira, dizendo que seu país apenas alcançará seu potencial quando os cidadãos pararem de tolerar a ilegalidade entre seus líderes.

Fuga: Irmão de dissidente chinês que foi para os EUA foge de vilarejo

Getty Images
Ativista chinês Chen Guancheng (C) chega com sua mulher, Yuan Weijing, para falar ao Council on Foreign Relations, Nova York
Nova fase: Dissidente chinês chega aos Estados Unidos

Chen, 40, disse a uma plateia no Council on Foreign Relations, uma organização privada não partidária dedicada à política externa, que a China está em direção de se tornar uma sociedade democrática, mas que sua longa detenção mostra que a ilegalidade ainda é a norma no país.

O advogado autodidata foi posto sob prisão domiciliar em sua casa na vila rural de Dongshigu, Província de Shandong, depois de ter sido solto em 2010, após cumprir uma sentença de quatro anos. Ele contou que, mesmo depois de o governo central prometer investigar as circunstâncias de sua prisão e de tê-lo deixado sair do país em 19 de maio com sua mulher e filhos, comparsas de autoridades locais espancaram os parentes que não puderam acompanhá-lo. "Há justiça? Há alguma lógica nisso?", indagou Chen por meio de seu tradutor.

Apesar disso, o dissidente afirmou que a era em que o comportamento ilegal era encoberto por autoridades governamentais está rapidamente chegando a um fim. Segundo ele, os sistemas de comunicação modernos impossibilitam a qualquer um manter segredo. "Chegou a um ponto na China em que, se você não quer que saibam de algo, melhor não fazê-lo", disse.

Chen também elogiou o fato de os líderes chineses lhe terem permitido exercer seu direito legal de estudar no exterior como um cidadão chinês - e não, como na maioria dos casos de outros ativistas de direitos do país, forçá-lo ao exílio como um dissidente que busca asilo no exterior.

"O governo central me permitiu vir aos Estados Unidos estudar. Isto não tem precedentes, independentemente do que fizeram no passado. "Quando (as autoridades) se movem na direção correta, devemos reconhecê-la", declarou.

Chen defendeu uma combinação de vigilância com um pouco de paciência em relação aos progressos democráticos da China. "Muitos querem mover a montanha em uma semana. Isso não é realista. Temos de movê-la de pouquinho em pouquinho. Não se pode esperar que isso aconteça da noite para o dia."

Chen fugiu de seus guardas em abril, quebrando seu pé no processo, e buscou refúgio na Embaixada dos EUA em Pequim . Ele afirmou que não tinha consciência, na época, de que a secretária de Estado americana, Hillary Clinton, chegaria à China para discussões diplomáticas de alto nível. "Foi uma total coincidência", afirmou.

Questionado sobre o que planeja fazer nos EUA, o dissidente disse que, depois de viver por tanto tempo isolado, precisa se atualizar nas questões mundiais. Ele também planeja estudar inglês e direito, embora sinta que precisa de uma pequena folga em um primeiro momento. "Nos últimos sete anos, não tive um fim de semana. Preciso de um descanso."

*Com AP, NYT e AFP

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